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Gringos revelam o que só o Rio de Janeiro tem

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FEIJOADA
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Qual é o segredo do encanto que quem vem de fora sente pela cidade maravilhosa? Para descobrir, ouvimos quatro estrangeiros que deixaram suas terras e escolheram o Rio de Janeiro como lar.

- O músico inglês Ritchie é Richard David Court. Pousou em terras cariocas há 44 anos, em plena ditadura militar. É autor de hits como Menina Veneno.
- A francesa France Perrin, Francis, veio trabalhar como cabeleireira no Rio há 25 anos e continua atuando na área.
- A estudante portuguesa Francisca Feiteira, Chica, está no país há quatro anos.
- A mauriciana Estelle Chavagnac, Estelle, mudou-se com o marido para o Rio há quatro anos. Aqui, fundou sua marca de sapatilhas.

Como aprenderam português?

Ritchie, Francis e Estelle não sabiam nada de português ao chegarem. Enquanto Estelle escolheu um curso para ajudá-la no aprendizado, Ritchie e Francis se viraram em conversas com amigos e no trabalho. "Eu só sabia 'obrigada' e 'bom dia', por isso falava inglês no início. Mas também encontrei várias pessoas que faziam questão de conversar em francês. Fiquei espantada porque na geração mais velha muita gente entendia a língua", conta Francis.

Cabeleireira, Francis sofreu um pouquinho com os clientes. "Às vezes dava certo, às vezes não. O brasileiro é muito falante, não só o carioca. Começavam a me contar do filho, da família... Eu ficava muito agoniada tentando entender o que queriam, tentava catar as palavras-chave. Esperava a pessoa falar 'cabelo' e pensava 'ai que bom! agora sim!'."

O que só o Rio tem?

Chica decreta: "O Rio tem vida. Não que Portugal não tenha vida, mas o Rio tem uma vida muito diferente. É só olhar a natureza, a praia, o calor, a forma de todos se exercitarem. As pessoas se preocupam com o bem-estar delas, em sair com os amigos no fim da tarde... A rotina aqui não é só trabalho e casa. É mais leve." É claro, isso é o jeitinho carioca! "O carioca é supersimpático, sociável. As pessoas no ônibus falam com você, e você nem as conhece!", observa Estelle.

"É um contraste muito grande com qualquer cultura. O francês é muito fechado em seus meios, aqui há uma facilidade em circular entre os grupos. O carioca faz questão de te entrosar nas coisas, de mostrar a cidade. E não é só o carioca da gema, mas também quem veio de fora e se tornou carioca por adotar a cidade", diz Francis. "Gosto das pessoas estarem abertas para falar comigo, como acontece tanto aqui", conclui Chica.

E bonito por natureza!

"Lembro da luminosidade quando cheguei. Era setembro, a luz me impressionou muito. Assim como o clima, as pessoas. Era oposto a tudo que eu conhecia na Inglaterra. Fiquei encantado com todas as novidades", lembra Ritchie.

"O primeiro bairro em que fui morar foi o Flamengo, mas achava o lugar onde eu estava longe do mar. Afinal, o sonho do Rio de Janeiro era o mar!", ri Francis. "Descobri que o bairro era extraordinário e depois fui morar em vários outros. Em todos eles, a natureza é incrível. A presença dela é muito forte em qualquer lugar que você vá aqui."

E o que é que o Rio não tem?

Eles também sabem que o Rio não é perfeito. "A falta de liberdade é o que atrapalha a vida carioca. Eu gostaria de aproveitar mais a cidade e tudo que ela oferece, mas nem sempre é possível. Por uma questão de segurança, a gente fica mais cauteloso", diz Francis. Ritchie foi assaltado na praia logo em sua primeira semana na cidade: "Mas depois daquela vez, nunca mais aconteceu. Logo cedo percebi que a minha confiança tinha que ser mais comedida."

A saudade e a escolha

Por melhor que seja o destino, deixar a sua terra nunca é fácil. "Acho que não tem ninguém que saia do seu país e não sinta falta. A gente já tem toda uma estrutura e vai se aventurar em um lugar novo. Agora sinto saudade sempre, porque ou deixo as pessoas daqui ou deixo as pessoas de lá", reflete Chica. Já Francis, vinte e cinco anos depois, pode afirmar: "Não sinto saudades da vida de lá mais não. Mas sinto da minha família. Tento viajar bastante pra lá, e eles vêm bastante pra cá também."

A escolha da permanência geralmente é natural. "Avisei o pessoal de lá que eu ia ficar mais um pouquinho, mas nunca foi minha intenção ficar, digamos, para sempre. Era mais seis meses, depois um ano... Fui esticando até não voltar mais", lembra o músico.

"Agora temos muito amigos, que de certa maneira viraram nossa família também. Somos felizes, fazemos o que gostamos. Os parentes e os amigos de lá vêm visitar a gente. E queremos filhos, a nossa família provavelmente vai começar aqui. Vamos ficar para ver o crescimento do que criamos", conclui Estelle.

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