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Rio terá restaurante comunitário comandado por grandes chefs nas Olimpíadas

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MASSIMO BOTTURA
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Na Vila Olímpica, a previsão é que 250 toneladas de comida sejam servidas em mais de 60 mil refeições diárias aos quase 15 mil atletas e funcionários hospedados durante a Olimpíada e Paralimpíada.

A julgar pela quantidade, não vai deixar faltar alimentação aos competidores. Porém, o que fazer com as sobras? A cada ano, pelo menos 1,3 milhão de toneladas de comida acabam no lixo e durante os jogos a situação não deve ser diferente.

Pensando em uma solução para esse problema, Massimo Bottura, eleito o chef do melhor restaurante do mundo, a Osteria Francescana, e fundador da ONG Food for Soul, embarcou em um projeto que busca minimizar os efeitos do desperdício de alimentos: o ReffetoRio Gastromotiva, um restaurante popular em que as sobras de ingredientes servidos na Vila Olímpica, que seriam descartadas, vão se tornar matéria-prima de cardápios para alimentar pessoas em situação de vulnerabilidade social.

O restaurante será inaugurado no dia 9 de agosto e o objetivo é criar um novo destino para os alimentos próprios para o consumo que são descartados por serem "feios" ou "amassados". A ideia do projeto é oferecer comida e dignidade às pessoas em situação de exclusão social.

Os 108 lugares do restaurante vão estar disponíveis para o almoço e jantar. Durante o dia, ele será aberto ao público e o cardápio será pago. Já a noite, o foco é no público em situação de vulnerabilidade social e as refeições são gratuitas. Assim, o cliente que paga pela comida irá ajudar a subsidiar a alimentação dos outros.

Passado o período olímpico, a ideia é que o projeto permaneça e os idealizadores do restaurante estão buscando parcerias com hortifrutis e mercados para doações de sobras.

Além disso, o local também vai ser um restaurante-escola-laboratório, oferecendo aulas, oficinas e workshops para formação de profissionais de gastronomia e incentivando uma alimentação mais saudável.

O RefettoRio

O modelo do ReffetoRio não é novidade, contudo, e foi inspirado em outro projeto de Bottura. Em Milão, o chef instalou o Reffetorio Ambrosian em um bairro do subúrbio onde mais de 65 chefes internacionais cozinharam com os ingredientes excedentes durante a Expo Milano em 2015.

A versão brasileira, comandada por David Hertz, do Gastromotiva (organização que se dedica à capacitação de jovens carentes para trabalhar em restaurantes), ganha outras nuances em que a solidariedade prevalece.

O projeto nasceu durante uma troca de mensagens no whatsapp entre Hertz e Bottura em dezembro do ano passado. Poucos meses depois uma série de parceiros já estavam envolvidos, de acordo com O Globo. A prefeitura do Rio de Janeiro cedeu o terreno localizado na Lapa onde o restaurante vai funcionar. O escritório Metro Arquitetos fez o projeto do estabelecimento, os irmãos Campana estão fazendo o design do mobiliário e o artista Vik Muniz, juntamente com os grafiteiros Os Gêmeos, são os responsáveis pela cenografia.

Por 40 dias o objetivo é que nomes da alta gastronomia nacional e internacional se dividam em duplas e trios para comandar os fogões do ReffetoRio, segundo informações do caderno Paladar, do jornal Estadão.

Já confirmaram presença o francês Alain Ducasse, o catalão Joan Roca, o basco Andoni Aduriz, os peruanos Virgilio Martinez e Renzo Garibaldi, e o argentino-italiano Mauro Colagrecco. Eles vão completar o time dos brasileiros Thomas Troisgros, Alex Atala, Roberta Sudbrack, Kátia Barbosa e outros que ainda estão sendo convidados. Além dos chefs renomados, os profissionais da rede Gastromotiva vão reforçar as equipes.

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