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Torcida dos refugiados foi BEM MAIS animada que brasileiros em jogo da Seleção

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Na saída do jogo do Brasil contra a África do Sul, a animação de um grupo de mais ou menos 20 pessoas chamou atenção dos torcedores brasileiros. Vestidos com a camisa e enrolados na bandeira do Iraque, refugiados fizeram uma festa no Mané Garrincha, em Brasília.

O grupo fez com que os canarinhos, donos da casa, parassem para observar e tirar foto.

O comerciante Luaiy Sallon, de 33 anos, ria de toda situação. Iraquiano refugiado no Brasil há 10 anos, ele era um dos mais empolgados na hora de animar os colegas.

“Esperamos muito por esse momento. Viemos em um grupo de mais de 15 pessoas aproveitar a chance de ver a seleção do país onde nascemos e do Brasil, onde vivemos hoje.”

Se nesta quinta-feira (4), que o Iraque jogou contra a Dinamarca antes do Brasil enfrentar a África do Sul, no Mané Garrincha, os iraquianos já estavam eufóricos, imagine no domingo, quando as seleções dos dois países se enfrentam.

Luaiy promete ainda mais empolgação. “Estamos animados. Tenho amigo que ainda não sabe para quem vai torcer. O futebol integra, é uma paixão em comum. Nos sentimos bem entre os brasileiros, fomos muito bem acolhidos.”

Todo esse sentimento de acolhimento e integração foi o que fez a iraquiana Saja Khdoam, 20 anos, sofrer duplamente. “Primeiro pelo Iraque, no primeiro jogo, e depois pelo Brasil. Gosto muito de futebol e torço igual pelos dois países. Não sei como vai ser no domingo.” Os dois jogos terminaram em zero a zero, com várias possibilidades de gol.

Para ela, o Brasil significa uma vida nova. “Assistir ao jogo da seleção do país onde nasci é uma forma de rever meus laços, mas me sinto bem aqui. Tem 11 anos que vivo fora. Estou há quatro anos no Brasil e não tenho a pretensão de voltar nem para visitar. É muito violento, o conflito ainda é muito intenso e tem muitos terroristas.”

Saja e Luaiy estão entre os 250 iraquianos que, segundo o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), vivem no Brasil. Eles podem ser poucos, mas já estão escalados para encarar a torcida brasileira no domingo.

Da Síria para os gramados

Os iraquianos não foram os únicos refugiados a demonstrarem paixão pelo esporte preferido dos brasileiros. Uma dupla de irmãos sírios também encantou o público do Mané Garrincha.

Não tinha quem não prestasse atenção nos meninos, nem que fosse simplesmente atraído pela roupa. Com trajes típicos do país, eles chamavam atenção por carregar uma série de objetos inusitados, como uma caixa com um símbolo da paz.

A ideia de Juman, de 11 anos, e Limar, de 8, era unir dois desejos: ver o jogo e, por meio do Neymar, fazer um pedido de paz ao mundo.

“O Neymar pode nos ajudar a pedir paz para o mundo todo. Queremos fazer o pedido em nome de todas as crianças que são mortas nas guerras. Nós tivemos que sair de lá porque seríamos mortos no conflito. E o Neymar é nosso ídolo”, diz Juman, que está no Brasil desde 2013.

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