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Dilma prepara carta para pedir novas eleições, mas PT descarta medida

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DILMA ROUSSEFF
Ueslei Marcelino / Reuters
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A menos de um mês do julgamento final do processo de impeachment, a presidente afastada, Dilma Rousseff, prepara uma carta ao país em que defende um plebiscito sobre novas eleições. O presidente do PT, Rui Falcão, contudo, declarou nesta quinta-feira (4) ser contra a proposta.

"Darei apoio integral à iniciativa de convocação de um plebiscito, com o objetivo de definir a realização de novas eleições e a reforma política no país", diz Dilma no texto, de acordo com a Folha de São Paulo. Ela pretende entregar a carta, com quatro páginas, aos 81 senadores até a próxima quarta-feira (10).

"Estão tratando o presidencialismo como se parlamentarismo fosse. O parlamentarismo permite o voto de desconfiança. No presidencialismo, o impeachment, sem crime, é golpe", disse a petista em entrevista à Folha.

Ela voltou a dizer que o presidente interino, Michel Temer, não tem legitimidade para se manter no poder e que os 54,5 milhões de brasileiros votaram nela.

Para a petista, o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) continua com "tentáculos" no Congresso. "Temer nunca controlou nada, é o Cunha", afirma.

A previsão é que o plenário do Senado comece a discutir o afastamento definitivo de Dilma no dia 25 ou 26 de agosto.

Sem apoio

A proposta de novas eleições tem sido debatida dentro do PT desde a iminência do afastamento de Dilma, mas encontra resistências. Para o presidente da legenda, não há "nenhuma viabilidade" na medida, que precisaria ser aprovada por meio de uma emenda à Constituição, para a qual são necessários três quintos dos votos tanto no Senado quanto na Câmara, em dois turnos.

Na avaliação de Falcão, devido ao rito de tramitação e à legislação eleitoral, só seria possível aprovar tal PEC para valer em 2018, data já marcada para as próximas eleições. Ele disse ainda que se Dilma defender a convocação de um plebiscito sobre o assunto, estará tentando impedir o próprio mandato. "Será um golpe contra ela e contra os 54 milhões de eleitores que votaram nela", disse.

O petista defende um plebiscito para consultar a população sobre medidas para ampliar a governabilidade e realizar reformas políticas eleitorais.

Pesquisa Datafolha divulgada em julho revela que 62% dos brasileiros defendem novas eleições.

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