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Keli Kitaura, a treinadora que faz meninas voarem com graça rumo à realização de sonhos

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keli kitaura

Entre saltos, voos, piruetas, levezas no ar e desembarques magistrais no solo, onde nós, reles humanos, ficamos a admirar a ginástica artística, cabem sonhos, expectativas e muita, muita dedicação.

Na Rio 2016, a equipe feminina brasileira chega à disputa mundial com muita esperança de um desempenho memorável e que leve à final. O Brasil será representado pelas jovens Daniele Hypolito, Flávia Saraiva, Jade Barbosa, Lorrane Oliveira e Rebeca Andrade, tendo Carolyne Pedro como reserva. O objetivo é superar a oitava colocação por equipe obtida em Pequim, em 2008. Dentre os promissores nomes, apenas Daniele e Jade já participaram de uma Olimpíada.

No solo, com olhar atento, firme e afetuoso para cada salto das meninas, é possível ver a técnica brasileira Keli Kitaura, uma das responsáveis pelo preparo profissional das atletas.

Junto com um destacado time de treinadores, Keli tem feito um minucioso trabalho de longo prazo em prol da profissionalização cada vez maior da ginástica artística brasileira. Isso quer dizer exigência e cobrança de disciplina.

Mas Keli foi além desse importantíssimo papel ao oferecer afeto e estrutura emocional para as meninas. Quando o ginásio do Flamengo pegou fogo, em 2012, Keli se mudou com uma equipe de 10 ginastas, entre crianças e adolescentes, para a cidade de Três Rios, no interior do Rio de Janeiro. Ela praticamente virou mãe das garotas, conta a treinadora ao HuffPost Brasil:

"Apesar de não ter filhos ainda, procurei dar o máximo de respeito e orientá-las no que eu achava correto. Sempre com muito carinho. Foi uma boa experiência, e acredito que isso ficará marcado por toda a minha vida."

Viviam como uma família: Keli e as meninas dividiam as atividades domésticas, e a treinadora zelava pelas tarefas escolares de cada uma. Toda a convivência era somada aos dedicados treinos para conseguir uma vaga nas Olimpíadas.

“É diferente a vida delas, elas são especiais sim, mas é tudo em busca de um mesmo objetivo, que é um sonho, uma olimpíada, um mundial", disse Keli a uma reportagem do Fantástico.

keli kitaura

A carreira como treinadora começou em Guarulhos (SP), onde descobriu a promissora Rebeca Andrade, de apenas seis anos na época - hoje a ginasta tem 16 anos e alia técnica, potência, flexibilidade e muita alegria. Ela irá disputar sua primeira olimpíada depois de uma séria lesão.

Desde que se conheceram, as duas nunca mais se desgrudaram: vinda de uma infância pobre em Guarulhos, a pequena faltava a muitos treinos e não tinha dinheiro para investir no sonho de se tornar atleta.

Foi então que Keli fez uma proposta para Rosa, mãe de Keli, como conta ao Globo Esporte: "Ficaria com Rebeca em casa nos fins de semana. Só assim saberia que ela estaria no ginásio no dia seguinte. Morou um tempo com uma tia, depois com a coordenadora de ginástica. Foi assim durante três anos."

Quando se mudou para Curitiba (PR), Keli prometeu trazer Rebeca assim que houvesse uma boa estrutura, o que ocorreu em menos de um ano. "As pessoas criticaram a mãe e a nós [treinadores] por termos tirado uma criança tão cedo de casa (tinha 8 anos na época). Resolvemos investir no potencial dela, no sonho dela. Tivemos que brigar com Deus e o mundo. Depois fomos contratados pelo Flamengo e ela veio junto." Foi assim que Rebeca se tornou uma das dez meninas que foram "criadas" por Keli quando foi necessário se mudar para Três Rios.

A mudança de Keli de Curitiba para o Rio de Janeiro priorizou a evolução das ginastas da equipe. "Sei que tem vários clubes com estrutura boa, mas eu tive que pensar não só em mim como nas duas que estavam comigo, Rebeca e Milena. Não dá pra elas, que são pequenas, treinarem sozinhas, sem espelho, sem nenhuma atleta mais velha como referência. Aqui [Rio de Janeiro] elas têm Jade, Daniele, Gabriela", explicou a técnica ao Gym Blog Brazil.

keli kitaura

Os abraços de Keli e Rebeca ao fim de cada apresentação da ginasta deixam clara a relação de cumplicidade de ambas. Com o sonho em curso e muito treinamento, a adolescente conseguiu melhorar a vida da família, que hoje mora em um local melhor. "Agora posso ajudar em casa, e minha mãe não tem mais dívidas", comemora em entrevista ao Globo Esporte. "Não me arrependo de ter saído tão cedo do convívio deles. É meu sonho e quero conquistá-lo. Estou lutando por ele. A vida não é nada fácil."

As provas de ginástica artística na Rio 2016 serão disputadas entre 6 e 16 de agosto, na Arena Olímpica do Rio, na Barra da Tijuca.

Neste sábado (6), começam as classificatórias da equipe masculina, composta por Arthur Nory Mariano, Arthur Zanetti, Diego Hypolito, Francisco Barretto Júnior e Sérgio Sasaki, com Caio Souza e Lucas Bitencourt na reserva.

As classificatórias das meninas serão no dia 7.

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