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Sarah Menezes, a judoca que deu ouro olímpico ao Piauí

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sarah menezes

"Um graveto que virou uma floresta."

Assim o tio da judoca Sarah Menezes, também conhecido como seu fã número 1, descreve a atleta. Considerando toda a história de vida da jovem de 26 anos, a analogia não seria melhor e ainda faz uma referência a categoria que compete, a de até 48 quilos. Nascida no Piauí, Sarah convenceu e provou que, mesmo com diversas dificuldades, dá para chegar ao topo: o ouro olímpico.

Das 18 medalhas de ouro que o Brasil já conquistou, três são no judô - só a dela é de uma mulher. E, apenas no caso dela, ainda há mais degraus no topo. Entre todos os 462 atletas da delegação brasileira, Sarah é a única com potencial para conquistar o bicampeonato olímpico.

O segredo? Persistência. Foi assim desde o início. Com 9 anos de idade, Sarah teve o primeiro contato com o esporte. "Quando vi a demonstração, que um tinha que derrubar o outro, achei legal. Acabei entrando", diz a atleta.

O treinador Expedido Falcão, que a acompanha até hoje, identificou o talento e decidiu investir. "Era um dom natural, só que era uma coisa bruta, sem técnica, e fui começar a lapidar aquele diamante bruto que estava chegando em minhas mãos", lembra Falcão.

Aí foi preciso convencer pai, mãe... Mostrar que dava para viver do esporte e que ele não era só de homem. "Nem a família acreditava, nem o próprio Piauí acreditava. Agora temos essa pequena notável, como as pessoas falam. A estrelinha do judô do Piauí", diz Sâmia Menezes, irmã da atleta.

Depois foi preciso convencer o Brasil que ela não precisava sair do Piauí, que existe, sim, vida esportiva além do eixo Rio-São Paulo. Embora a dificuldade financeira tenha feito parte da história da família de Sarah, este não foi um motivo que a incentivou a deixar o aconchego da cidade natal.

Treinou a vida toda em Teresina e, só no fim de 2015, ela mudou para o Rio para entrar no clima dos jogos olímpicos no País.

Foram seis anos sem saber o que era derrota. A atleta "made in Piauí" disse que só soube o que era perder quando entrou para seleção brasileira, aos 15 anos. Com 18 anos, foi para sua primeira olimpíada, em Pequim. Mas não foi daquela vez. Foi em 2012, em Londres, que veio o ouro. Em esportes individuais, só a Maurren Maggi, do salto à distância, tem o ouro olímpico.

Após o primeiro lugar, Sarah protagonizou uma série de derrotas e quase ficou fora da competição no seu próprio País. Ficou fora do Pan, em Toronto, e teve problema de peso. Sarah não esconde: o que ela mais gosta de fazer é comer. "Churrasco, lasanha de frango, camarão..." Uma dificuldade para quem não pode passar dos 48 quilos. Mas aí, novamente, vem o segredo da atleta: a persistência. "Treino, treino, treino."

Agora, Sarah conta com o favoritismo ao seu lado, para, mais uma vez, entrar para ter ainda mais relevância no esporte nacional.

"Eu gosto de fazer história. Eu já pensei nisso (ser bicampeã olímpica) e é uma motivação que eu tenho nessa Olimpíada. Não só de participar, de ser uma Olimpíada dentro de casa, mas esse grande desafio de chegar lá e estar no topo do pódio. Eu sempre gostei de mostrar que era capaz de conseguir as coisas. E eu entrei no judô e comecei a fazer história, né? Comecei pelos Brasileiros, entrei na seleção, Pan-Americano, Mundial, Olimpíada e agora o grande desafio é ser bicampeã olímpica em casa", disse ao Globo Esporte.

Brilha, estrelinha!

Principais títulos:

- Campeã dos Jogos Olímpicos Londres 2012
- Bronze nos Mundiais Rio 2013, Paris 2011 e Tóquio 2010
- Vice-campeã dos World Masters Guadalajara 2016 e Tyumen 2013
- Tetracampeã pan-americana (10, 13, 15, 16)
- Campeã do Grand Slam de Tuymen 2014
- Prata no Mundial Militar Astana 2013
- Bicampeã Mundial Júnior (08 e 09)

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