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#ElasnaRio2016: Flavinha tem uma estratégia: a alegria! Conheça a ginasta em ascensão

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FLVIA SARAIVA
Reprodução/Facebook
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Concentra. Mantém a respiração. Cabeça erguida. Prepara. Alonga. Pega impulso. Salta, gira, estica, equilibra e não esquece de sorrir.

São 90 segundos no solo e na trave; já nas barras e nos saltos, são apenas 40. É o suficiente para emplacar 8 anos de treinamento? Sim. E ela o faz com leveza, segurança e muito, mas muito carisma.

Flávia Saraiva, ou Flavinha, como é conhecida, tem 16 anos, mede 1,33m e pesa 39kg. A pequena carioca é uma gigante em ascensão na ginastica artística do Brasil e já ganhou o coração da torcida e dos atletas brasileiros.

A ginasta ganhou popularidade após conquistar três medalhas na Olimpíada da Juventude de Nanquim (China), em 2014.

De lá pra cá, garantiu seu lugar na seleção com pódios no Pan de Toronto (Canadá) e dois ouros na etapa de Baku (Azerbaijão) da Copa do Mundo.

Apesar da pouca idade, Flavinha surge como principal nome do grupo brasileiro e está brigando por três medalhas em sua primeira participação em Olimpíada.

Ela está na final nas seguintes modalidades: por equipes (terça, 9/08, às 16h), individual geral (quinta, 11/08, às 16h) e trave (segunda, 15/08, às 15h45).

Mas como lidar com a pressão de ser o xodó da arena? A ginasta tem uma estratégia: fazer tudo com alegria.

"Eu não levo como uma pressão. Eu só faço o que eu treinei bastante e dediquei 8 anos da minha vida. Eu só vou lá para ser feliz", contou a garota em entrevista à TV Escola.

Questionada se tem medo de falhar, mais uma vez ela responde com a tranquilidade de uma criança e a leveza de quem já passou por muito aprendizado.

"A gente pode até pensar em desistir, sim. Existem momentos bons e ruins, ninguém é 100% em todas as provas. Mas quando você se vê lá no pódio e olha pra trás, você entende que tudo valeu a pena!"

Rotina de gente grande

Para alguém de apenas 16 anos, a rotina da atleta não é nada fácil.

Todos os dias ela acorda às 7h da manhã e inicia o treino às 8h, no centro de treinamento inaugurado pelo COB (Comitê Olímpico do Brasil) em 2015.

"Ela sempre foi muito focada. Sempre treinou muito. É a primeira a chegar e última a sair", afirmou o treinador dela, Alexandre Carvalho, em entrevista à Folha.

É só entre as 13h e as 16h que Flávia tem uma pausa dos ginásios e troca os aparelhos pelos cadernos em aulas particulares. No 3º ano do ensino médio, a atleta almeja passar em um vestibular de fisioterapia.

Trinta minutos após os estudos, ela retorna ao ginásio e as práticas continuam até pelo menos 20h, quando encerra o dia com uma sessão de alongamento e fisio.

Aos sábados, os treinos acontecem das 8h às 13h e nas poucas horas que sobram Flávinha se dedica a família. Mas ela não nega alguns vícios: o desenho animado do Bob Esponja e os aplicativos do celular.

Foco e dedicação

Flávia conheceu a ginástica aos 8 anos, mas só foi levar a sério o esporte cinco anos depois. Aos 13, ela passou a dominar as técnicas da trave -- sua especialidade.

Se o fato de ser pequenininha é um plus ao seu carisma, a baixa estatura também favorece na hora da competição: o centro de equilíbrio do corpo permanece mais próximo ao solo.

"Nunca tive medo da trave. É questão de costume", contou à Folha.

Já no solo, outra categoria em que vai bem, a garota triplica de tamanho em seus saltos cravados e mostra todo o suingue com as coreografias que envolvem o público.

Aliás, ela diz amar a torcida e, inclusive, "pedir palmas".

"Eu gosto muito de competir com a torcida. Eles ajudam a gente. Tem uma hora na minha coreografia que eu peço as palmas. Mas sei que não são só para mim, mas para ajudar a todas as meninas que estão competindo também."

💚 @rbufolin 💚 😝😜😝

A photo posted by Flavia Saraiva (@flavialopessaraiva) on


Na avaliação do técnico Alexandre Carvalho, a vontade da menina em se desafiar supera qualquer outra característica.

"Não que ela não tenha talento. Mas o diferencial é se dedicar. Se ela mantiver a consciência de que tem de trabalhar mais que todas, a chance de bons resultados é grande!"

Ele disse ao portal UOL que, como ela está no início de carreira, é importante ter os pés no chão.

"Ela é uma atleta diferente, desde quando eu comecei a trabalhar com ela eu vi que era diferente das outras meninas. E com ela foi tudo muito rápido, nos últimos dois anos foram vários resultados consecutivos. E o perfil dela, por ela ser carismática, contribuiu ainda mais para o sucesso. Mas tem que ter pés no chão, ela não conquistou nada ainda. Vai para a primeira Olimpíada. Ela não pode mudar. Isso que a gente controla, se ela mudar vai levar puxão de orelha ou não colher bons frutos."

Já para Daiane dos Santos, ex-atleta e hoje comentarista da TV Globo, o que chama atenção na menina é a vontade de se entregar.

“É um carisma totalmente natural. Ela é uma gracinha, todo mundo fica encantado com ela. Pode ser parecido, sim, com o que aconteceu comigo. Ela é um grande nome da ginástica, muito esforçada em tudo o que ela faz. Ela quer se entregar, isso é muito importante.”


Flavinha, gracinha, fofinha e xodó são sim características da atleta, mas o diminutivo não vai limitá-la. Ela merece atenção, de fato, por seu potencial de ir ainda mais longe.

Voa, Flávia!

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