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É fato, está mais difícil encontrar um psiquiatra

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Eva Bee via Getty Images
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O número de psiquiatras está diminuindo nos Estados Unidos, enquanto a demanda por seus serviços está aumentando, segundo um novo estudo divulgado recentemente.

O estudo, publicado na edição de julho da revista Health Affairs, usou dados do governo para mostrar como o número de psiquiatras mudou entre 2003 e 2013.

Em 2003, havia 37.986 psiquiatras em atividade nos Estados Unidos, segundo o estudo. Dez anos depois, havia 37.899.

A diferença é pequena, claro. Mas, quando os pesquisadores ajustaram os números de acordo com o crescimento populacional, eles descobriram que o número de psiquiatras em atividade para cada 100 mil moradores em uma comunidade típica tinha diminuído de 8,2 para 7,4.

Em outras palavras, o número relativo de psiquiatras tinha caído 10%.

A mudança é significativa, porque aconteceu numa época em que o número de médicos em geral vem aumentando.

A mudança também é inquietante por acontecer em uma época em que a sociedade está se conscientizando sobre problemas de saúde mental – e a expansão da cobertura dos planos de saúde permite que mais pessoas paguem pelos serviços.

Mas a capacidade de pagar por serviços de saúde mental não significa o mesmo que obter serviços de saúde mental.

Muitos psiquiatras não aceitam planos de saúde, porque os reembolsos são baixos e porque é complicado lidar com as seguradoras.

Isso limita o acesso aos serviços, particularmente para as pessoas que não têm condições de pagar pelo tratamento.

Agora, segundo o novo estudo, encontrar um psiquiatra é ainda mais difícil.

Os esforços para inverter a tendência e ampliar o acesso ao tratamento de doenças mentais já vêm de algum tempo.

Novas leis, como o Affordable Care Act, têm gradualmente forçado os planos de saúde a pagar por tratamentos de saúde mental – ainda que de maneira hesitante.

A lei também prevê mais recursos para o treinamento de novos psiquiatras.

Mas os autores do estudo afirmam que tornar a psiquiatria mais atraente e lucrativa não será suficiente para resolver a escassez de médicos atual. “Simplesmente ter mais psiquiatras não é a solução para o problema”, disse ao The Huffington Post Harold Pincus, um dos co-autores.

Pincus, professor no departamento de psiquiatria da Universidade Columbia, em Nova York, disse que o foco principal deveria ser uma reorganização dos serviços – para que os psiquiatras trabalhem mais frequentemente em conjunto com psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais.

Cada um dos integrantes da equipe se concentraria em sua área – os psicólogos, por exemplo, poderiam se focar em terapia, enquanto os psiquiatras cuidam das medicações.

A boa notícia é que essa transição já começou.

Richard Frank, economista especializado em saúde da Universidade Harvard e pesquisador do tema, observou em entrevista que o número de conselheiros e terapeutas está aumentando.

Além disso, clínicos gerais vêm lidando com questões de saúde mental diretamente, em vez de indicar especialistas para todos os pacientes.

Mas ainda há muito o que fazer, diz Frank. “Nunca seremos capazes de treinar psiquiatras suficientes para atender a demanda. ... Vai ajudar, mas resolve só uma parte do problema.”

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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