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Joanna Maranhão é alvo de ataques nas redes, mas dá o recado: 'O ódio será revertido para combate à pedofilia'

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JOANNA MARANHO
Rio , Brazil - 6 August 2016; Joanna Maranhão of Brazil in action during the women's 400m medley heats in the Olympic Aquatic Stadium, Barra de Tijuca, during the 2016 Rio Summer Olympic Games in Rio de Janeiro, Brazil. (Photo By Ramsey Cardy/Sportsfile via Getty Images) | Ramsey Cardy via Getty Images
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Joanna Maranhão fez o seu melhor tempo olímpico aos 29 anos na prova dos 400 metros medleys e por apenas cinco centésimos ficou fora da semifinal dos 200 metros nos Jogos Olímpicos na tarde da última terça-feira (9).

Para além dos resultados, a superação da nadadora em sua quarta participação de uma Olimpíadas é bastante simbólica tendo em vista o seu duro passado com abusos sexuais e a depressão.

Após a sua eliminação, Joanna viu seu perfil nas redes sociais ser atacada com mensagens de ódio por parte dos usuários.

Mas ela não deixou por menos. A atleta fez um post desabafo e deu o recado: "Fiquei em silêncio permitindo que vocês se sentissem a vontade enquanto o advogado coletava nome, dados e cpf de cada um. O ódio de vocês será revertido para uma boa causa; combate à pedofilia.”

Em entrevista à ESPN, a nadadora pernambucana afirmou ter visto os ataques em sua página no Facebook com mensagens que relembravam o estupro sofrido por ela quando criança.

"Ontem à noite foi o dia mais difícil para mim. Tentei ficar fora de rede social, mas fui no Facebook e vi uma enxurrada de agressões. Alguns dizendo que eu merecia ser estuprada, que minha história é uma grande mentira. Eu tentei segurar a onda, mas agora eu desabafei. É muito duro receber esse tipo de tratamento."

A nadadora ainda compartilhou sua indignação com outros casos de racismo nas redes e continuou:

"O Brasil é um país muito racista, racista, homofóbico, voltado ao futebol, e os ataques que são feitos lá as pessoas pensam que não afeta. Eu sempre me posicionei politicamente, porque sinto que todo ser humano tem um papel a fazer, mas eu quero um país para todo mundo. Não quero que a Tais Araújo seja chamada de 'macaca', que a Rafaela Silva seja chamada de 'decepção', amarelona'".

"Felipe Kitadai, Charels Chibana, Sarah Menezes não entraram para perder. É muito difícil as pessoas entenderam isso. Mas passar para a linha do desrespeito é difícil. Treinei muito para ser a melhor nadadora do Brasil e não sucumbir à minha depressão, e de repente as pessoas me questionando, questionando minha história", completou.

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