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Foto de mãe amamentando filha prematura oferece esperança após trauma

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“Ela está provando que todo mundo estava errado.” | KERI BARCELLOS-PUTT
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Em 22 de abril, Keri Barcellos-Putt deu à luz a filha Dahlia, com apenas 28 semanas de gestação.

A bebê foi transferida para uma unidade de terapia intensiva, onde deveria permanecer por pelo menos mais um mês, tornando o período pós-parto difícil. Mas a mãe encontrou uma esperança inesperada por meio de uma característica especial da maternidade: a amamentação.

"Esta sou eu e minha menina hoje. A primeira vez juntas também! Hoje ela está com 4 semanas. Nasceu com 28 semanas. A bolsa rompeu com 21 semanas, e a única opção que os médicos me deram foi a de interromper a gestação.

Após duas semanas de repouso em casa e cinco semanas de repouso no hospital, ela nasceu via cesariana de emergência devido a um descolamento prematuro da placenta. Os médicos pensavam que ela não sobreviveria, porque não havia água para que seus pulmões se desenvolvessem.

Ela está aqui e muito saudável. Nunca precisou de oxigênio. 32 semanas de gestação e tentando amamentar, embora eles tenham me dito que ela não teria como [mamar] até 34-36 semanas de gestação. Ela está provando que todo mundo estava errado!”
www.breastfeedingmamatalk.com

Keri enviou uma foto amamentando a bebê pela primeira vez para a página do Facebook do Breastfeeding Mama Talk. A fundadora do site, Kristy Kemp, postou a foto na página, que está repercutindo entre milhares de pais na esfera das mídias sociais — com mais de 37 mil curtidas e quase 2 mil comentários.

A foto viral mostra Dahlia mamando com 4 semanas — quando ela teria completado 32 semanas de gestação. “Embora eles tenham me dito que ela não teria como [mamar] até 34-36 semanas de gestação”, Keri escreveu na legenda, “ela está provando que todo mundo estava errado!”.

dahlia

A bebê Dahlia nasceu com 28 semanas, pesando cerca de 1kg.

Como a mãe explica na legenda da foto do Facebook, a jornada de Dahlia para este mundo foi cheia de desafios. Keri disse ao The Huffington Post que ela soube que seria mãe pela terceira vez no final de outubro de 2015.

As coisas estavam caminhando bem até o dia de Natal, quando ela teve uma “grande hemorragia” e passou o dia seguinte na emergência de um hospital, fazendo exames de sangue e um ultrassom. Keri foi diagnosticada com hematoma subcoriônico.

“Continuei a sangrar, mas os médicos não estavam preocupados, porque isso tende a se resolver sem complicações”, lembra.

Quando fez um ultrassom com 18 semanas, o hematoma parecia ter desaparecido, e Keri soube que estava esperando uma menina. Mas, com 21 semanas, sua bolsa estourou — transtorno conhecido como ruptura prematura de membranas (RPM). A situação se mostrava sombria.

“Naquele ponto, a parteira que me deu a notícia discutiu comigo minhas opções: ir no dia seguinte e tomar remédios para entrar em trabalho de parto e dizer adeus à minha bebê, ou ficar em casa e esperar até entrar em trabalho de parto naturalmente e dizer adeus depois”, Keri disse ao HuffPost, observando que seu hospital não acreditava que a bebê pudesse sobreviver até 24 semanas no útero.

“Estatísticas mostram que os pacientes com RPM não conseguem evitar o trabalho de parto por muito tempo após a ruptura, por isso, a probabilidade de que eu aguentasse 24 semanas era nula”, a mãe acrescentou.

Embora os médicos não tenham como dizer com certeza o que causou a ruptura de membranas de Keri, alguns acreditam que exista uma correlação entre esse problema e o hematoma subcoriônico. No final, Keri decidiu arriscar e levar a gestação adiante.

“Fiz minhas próprias pesquisas e encontrei um regime de RPM que segui à risca”, Keri explicou. “No primeiro dia da primavera [no hemisfério norte], eles concordaram em me internar pelo período [equivalente] da gravidez. Recebi duas rodadas de esteroides para auxiliar no desenvolvimento dos pulmões e duas rodadas de magnésio, para proteção dos neurônios.

Depois de duas semanas de repouso em casa e cinco semanas no hospital, Keri deu à luz a filha Dahlia via cesariana de emergência devido a um descolamento prematuro da placenta, com 28 semanas. O bebê pesava cerca de 1kg.

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“Ela está superando todas as expectativas”, Keri disse sobre a filha.

A batalha não terminou ali, mas, por enquanto, a filha de Keri está superando as expectativas. “Eles haviam me alertado que Dahlia poderia não sobreviver e, caso conseguisse, seus pulmões seriam provavelmente extremamente subdesenvolvidos”, disse Keri.

“Eu havia me preparado para todas as possibilidades, mas, para minha surpresa, seus pulmões foram perfeitos para sua gestação.”

A bebê foi conectada ao aparelho CPAP para auxiliar a respiração e, depois, a uma cânula nasal. Por enquanto, tem mostrado um grande avanço, sem problemas oculares ou hemorragias cerebrais — preocupações comuns para bebês prematuros, explicou a mãe.

“Ela acabou de completar 1 mês [em 22 de maio] e temos mais 1 mês e meio a 2 meses ainda na UTI, mas ela está superando todas as expectativas”, Keri disse ao HuffPost. “Seu prognóstico é ótimo. Pode ser que ela atinja as metas um pouco depois do que os bebês que nasceram no prazo normal, mas ela deve recuperar o atraso rápido.”

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Dahlia está na UTI desde abril e ainda deve ficar de 1 a 2 meses em tratamento.

Keri, o marido Derrick e os filhos Draven e Deagan estão todos torcendo por Dahlia e fazendo o que podem para apoiar seu progresso. Para a mãe, uma parte importante desse apoio é a amamentação.

“Eu sabia que só iria beneficiá-la, então me empenhei nisso”, disse Keri. “No aniversário de 4 semanas de seu nascimento, tive permissão de colocar Dahlia em meu peito pela primeira vez, e ela se saiu muito bem.”

O sucesso da amamentação tem sido uma grande vitória para a mãe. “Através de todo esse processo, me culpei e senti que meu corpo falhou com Dahlia, então, embora tudo ainda esteja fora do meu alcance, sinto que tenho algum controle sobre sua nutrição”, explicou Keri.

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“Através de todo esse processo, me culpei e senti que meu corpo falhou com Dahlia, então, embora tudo ainda esteja fora do meu alcance, sinto que tenho algum controle sobre sua nutrição.”

“Eu retiro [o leite] e planejo amamentar porque devo isso a ela, e isso tem me ajudado a me redimir de certa forma. Perdi metade de minha gravidez, e a amamentação é uma maneira de me conectar e sentir que sou necessária para ela”, acrescentou.

Emocionada com o sucesso de sua iniciativa e querendo compartilhar sua experiência positiva, Keri enviou sua foto e história para o Breastfeeding Mama Talk. “Não tinha ideia de que causaria a repercussão que teve, mas as reações têm sido positivas.”

Keri espera que sua experiência possa aumentar a conscientização sobre a ruptura prematura de membranas e inspirar outros pais em circunstâncias semelhantes. Para aprender mais sobre a história de Dahlia e sobre a RPM, visite o site GoFundMe.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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