Huffpost Brazil

Joanna Maranhão denuncia ataques e diz: 'Não guardo rancor porque só faria mal a mim'

Publicado: Atualizado:
JOANNA 1
Reprodução/Facebook
Imprimir

A atleta Joanna Maranhão foi alvo de comentários misóginos e xenófobos nas redes sociais depois de ser eliminada da prova de 200 metros borboleta na Rio 2016.

Após a competição, ela deu entrevista ao SporTV e disse que levaria o caso para a Justiça:

"Quando falta com respeito com as mulheres ou pelo fato de eu ser do Nordeste, aí eu vou ter que tomar medidas jurídicas"

E foi isso que ela fez na tarde desta sexta-feira (12). Joanna foi à Delegacia De Represão aos Crimes de Informática (DRCI) do Rio De Janeiro prestar queixa sobre os ataques.

Em entrevista ao jornal Extra, ela lembrou casos similares que aconteceram com Preta Gil, Taís Araújo e Letícia Sabatella e falou sobre como é difícil se posicionar politicamente com tanto ódio:

"Não sou a primeira nem serei a última a passar por isso. Tem coisas que não escolhemos passar. No momento em que optei por me posicionar politicamente, por ser uma pessoa pública, me preparei para questionamentos, não para o que vem acontecendo. Quando o questionamento parte para a agressão, para a violência, é preciso ir à Justiça, que é o que estamos fazendo."

Mesmo com toda dificuldade psicológica em lidar com os ataques, Joanna relembra um caso muito difícil e dolorido de seu passado para dizer que não guarda rancor das pessoas que a atacaram:

"Passei por uma situação pesada na minha infância. E demorei muito a entender que enquanto eu estivesse tendo rancor de quem fez aquilo comigo, eu não estaria ajudando ninguém. Não conseguiria combater a pedofilia daquela forma. O que ganho tendo raiva? Nada. Ela é um veneno que só eu bebo."

E ressalta que a busca por dar queixa na Justiça não se trata de vingança:

"Acredito que [eles] serão punidos, mas não existe algum tipo de rancor. É uma questão de Justiça mesmo. Não quero que as pessoas sejam inibidas a se posicionar politicamente por que existe um grupo de pessoas que acredita que a internet é um terreno impune, porque não é"

A contrapartida ao ódio

A atleta também falou sobre como é importante ter o apoio e reconhecimento de brasileiros sobre seu esforço e qualidade:

Pedi desculpa pela minha performance a uma pessoa que me abordou e ela me retrucou: 'Como assim, desculpa? Você deu o seu máximo'. As pessoas compreendem o que é estar entre as melhores do mundo. E é deste tipo de energia que preciso
erros do passado, que foram perniciosamente levantados por pessoas nas redes sociais:

"Meu erro foi fazer uma brincadeira. Peço desculpas à Ariadna e a todas as pessoas LGBT. Sou uma pessoa que defende todas as causas da classe, vocês sabem disso"

Outros ataques

Não é a primeira vez que Joanna Maranhão sofre agressões virtuais. Por ter uma postura transparente e se posicionar em assuntos que são tabus para muitas pessoas -- como questões LGBT e política --, Joanna já vinha sendo atingida por haters há um bom tempo.

De qualquer forma, a atleta se nega a usar o ódio que recebeu como justificativa ou "desculpa" para sua performance na Olimpíada, mesmo que tenha abalado seu psicológico:

"Não uso isso como justificativa para eu ter nadado mal, mas os comentários sobre estupro e a tentativa de desqualificar as pautas progressistas que defendo me deixaram bastante triste. Questionar minha performance, sinceramente, não ligo. Sei do valor que tenho enquanto atleta"

LEIA MAIS:

- Joanna Maranhão e Twitter: uma aula de posicionamento para os atletas brasileiros

- Disseram para Joanna Maranhão parar de nadar e...

- Joanna Maranhão é alvo de ataques nas redes, mas dá o recado: 'O ódio será revertido para combate à pedofilia'

Também no HuffPost Brasil

Close
Brasileiras brilham nestas modalidades olímpicas
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção