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'Jamais diria que os homens trabalham mais', diz ministro um dia após dizer o contrário

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RICARDO BARROS
Elza Fiuza / Agência Brasil
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Após dizer que os homens procuram menos os serviços de saúde porque "trabalham mais" que as mulheres, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse ter sido mal interpretado e que se referia ao número total de homens no mercado de trabalho.

Em nota divulgada nesta sexta-feira (12), o Ministério da Saúde informou que Barros "pede desculpas se foi mal interpretado" e que segundo pesquisa Síntese de Indicadores Sociais, o IBGE aponta que pessoas de 16 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência, por sexo, 53,7 milhões são homens e 39,7 milhões são mulheres.

“Conhecendo o quanto as mulheres trabalham, eu jamais diria que os homens trabalham mais que as mulheres. Quero deixar claro que eu me referia ao número de homens no mercado de trabalho, que ainda é maior”, justificou o ministro.

Na quinta-feira, ao lançar uma campanha de estímulo à saúde do homem, Barros disse a jornalistas que a população masculina procura menos o sistema de saúde por se tratar de "uma questão de hábito, de cultura, até porque os homens trabalham mais, são os provedores da maioria das famílias e não acham tempo para se dedicar à saúde preventiva".

De acordo com pesquisa feita pela ouvidoria do Ministério da Saúde em 2015, quase um terço (31%) dos homens brasileiros não tem o hábito de ir aos serviços de saúde para acompanhar seu estado de saúde e buscar auxílio na prevenção de doenças e na qualidade de vida.

A sondagem feita com 6.141 homens cujas parceiras fizeram parto no Sistema Único de Saúde (SUS) aponta que em muitos casos, os homens pensam que não ficam doentes ou têm medo de descobrir doença.

O horário de funcionamento das unidades de saúde foi apontado por apenas 2,8% dos homens entrevistados como motivo para não irem aos serviços de saúde. A maioria (55%), justifica que procura mais somente em casos urgentes. Outros 17,4% alegam utilizar a rede privada e 14,5% reclamam da demora no atendimento.

O resultado da busca tardia pelo serviço de saúde é que, em média, os homens vivem sete anos a menos que as mulheres. Segundo a última pesquisa do IBGE, enquanto a expectativa de vida dos homens alcançou 71 anos, entre as mulheres, a expectativa é de 78 anos.

As causas que mais matam a população masculina são as externas, (acidentes de trânsito e situações de violência), seguido de doenças do aparelho circulatório, câncer e enfermidades do aparelho digestivo, situações em que parte dos óbitos poderia ser evitada se houvesse prevenção ou diagnóstico cedo.

Com o objetivo melhorar tais indicadores, o Ministério da Saúde lançou o Guia do Pré-Natal do parceiro e o Guia da Saúde do Homem para agente comunitário de saúde. O objetivo é aproveitar homens que acompanham a parceira no momento do Pré-Natal para que façam exames preventivos.

“As mulheres, além de trabalhar fora, tem as tarefas de casa, cuidam da família e ainda arrumam tempo para cuidar da saúde. A campanha que lançamos quer espelhar esse exemplo das mulheres”, completou o ministro nesta sexta-feira.

Trabalho

De acordo com a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IGBE feita em 2014, a dupla jornada feminina tem cinco horas a mais que a masculina.

Entre 2004 e 2014, a jornada fora de casa masculina caiu de 44 horas semanais para 41 horas e 36 minutos. A jornada dentro de casa permaneceu em 10 horas semanais.

Também de acordo com a Pnad, nesse período de dez anos, a quantidade de lares chefiados por mulheres aumentou 67%, de modo que 11,4 milhões de mulheres passaram a essa condição no período. Já a estatística de homens cresceu apenas 6% no período.

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