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Formiga quer espaço para o futebol feminino: 'Troco tudo que conquistei pelo profissionalismo no Brasil'

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miraildes maciel

O currículo dela não nega, Formiga é uma atleta com experiência singular.

Só nessa Olimpíada, ela já bateu três recordes: é a primeira brasileira com mais participações nos Jogos - seis, no total; é a única atleta do futebol feminino mundial a disputar todas as edições desde que a modalidade foi incluída no calendário olímpico, em Atlanta, em 1996; e é ela também quem mais participou dos Jogos entre os atletas de esportes coletivos, igualando-se ao espanhol Manuel Estiarte, do polo aquático, e à russa Evgeniya Artamonova Estes, do vôlei.

E agora o foco é ser campeã olímpica ao lado do time brasileiro, já que só faltam dois jogos. Mas Formiga não quer só medalha, títulos e pódios. Ela trocaria qualquer recorde por uma coisa muito mais simples, mas que ainda é o maior obstáculo de grande parte das atletas mulheres: a profissionalização do esporte feminino no País.

Em entrevista ao Uol, a atleta de 38 anos disse que vai se aposentar, mas que nem por isso irá deixar de lutar por um cenário mais favorável às atletas que sonham um dia estar na disputa do ouro olímpico: "Não vou parar de falar. As coisas precisam melhorar".

"Troco tudo que conquistei e o que posso conquistar pela implantação do profissionalismo no Brasil. Sem pensar um momento. Eu não teria medalha, mas o Brasil ganharia muitas. Basta profissionalizar para que venha o ouro muitas vezes. Quando a gente joga aqui, o carinho é enorme. Todo mundo gosta da gente. É um sucesso. Por que os clubes não montam times femininos? Impossível dar errado".

formiga soccer

Miraildes Maciel Mota se tornou Formiga devido a sua baixa estatura. Ela nasceu em Salvador, em 1978, e cresceu no bairro periférico de Lobato. Disputava na rua com os meninos para poder jogar futebol e chegava a receber tapas dos irmãos por isso. Hoje, atleta da seleção, a zagueira que se faz onipresente nos gramados ganha R$ 9.000 por mês mas se diz satisfeita: "Já estou feliz. Minha mãe sempre me ajudou e eu pude retribuir. Temos uma casa em Salvador. Está bom para mim".

Depois dos Jogos, o projeto da atleta é continuar próxima do esporte, como treinadora ou dirigente de algum clube feminino e poder ajudar a mudar a realidade do calendário e das disputas no Brasil.

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