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Olimpíada 'para gringo ver': Anistia denuncia violência e segurança seletiva no Rio

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violence rio de janeiro

Se você está ou esteve no Rio de Janeiro durante a Olimpíada pode concordar que os esforços para demonstrar uma segurança efetiva na cidade são nítidos: basta uma caminhada na orla de Copacabana para esbarrar com militares fardados utilizando armamento imponente, ou ainda, se você for até a Cidade Olímpica, o esquema de policiamento por lá também é forte.

Porém, para além dos cenários dos jogos, a Anistia Internacional denuncia outro cenário real da capital carioca: a segurança seletiva.

Aqueles que na Zona Sul são símbolos de proteção, nos morros são os responsáveis por violações e abusos de violência contra a parcela da população historicamente alvo da força policial - os jovens, negros e da periferia.

"Passados 10 dias do início dos Jogos Olímpicos Rio 2016, duas coisas já estão claras: a repetição de um padrão de violações e abusos por parte das forças de segurança e a ausência completa do prometido legado de “cidade segura para todas as pessoas”", diz a nota da Anistia.

De acordo com o órgão, em diversas áreas da cidade, os 10 dias de Jogos tem como saldo as operações policiais extremamente violentas e intensos tiroteios, com pessoas feridas e mortas.

"Há pelo menos 5 casos confirmados de mortes em operações policiais (3 em Del Castilho, 1 na Maré, 1 no Cantagalo), e casos ainda não confirmados nas favelas de Acari e Manguinhos. Moradores dessas áreas relatam outros abusos como invasão de domicílio, ameaças, e agressões físicas e verbais."

Mas aqui a bipolarização polícia versus comunidade se torna superficial se for interpretada por um viés do indivíduo, e não como uma estratégia política, uma vez que a lógica por trás dos esquemas de policiamento é mais complexo e coloca todas as vidas em jogo: nos últimos dias, pelo menos dois policiais também foram mortos em serviço.

Isto porque, para a Anistia, as operações repressivas refletem uma visão naturalizada das autoridades e de parte da sociedade de que as favelas são espaços de exceção onde o uso desnecessário e excessivo da força é permitido.

"Como se fossem lugares onde a vida vale menos. Isso é inaceitável. Direitos humanos são universais. As operações de segurança no contexto da Rio 2016 estão violando os direitos de grande parte da população carioca."

A cidade prometida

Se, para alguns, o legado da segurança pública da Rio 2016 foi entregue, para outros ele não chegou nem perto.

"Na primeira semana da Olimpíada (de 05 a 12 de agosto), foram registrados 59 tiroteios/disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio de Janeiro, uma média assustadora de 8.4 por dia, quase o dobro da semana anterior, com média de 4.5 (32 no total). Neste mesmo período, ao menos 14 pessoas foram mortas e 32 ficaram feridas por armas de fogo", argumenta a Anistia.

Ainda, a denuncia reforça que manifestações estão sendo reprimidas dentro e fora dos estádios.

"Atos públicos realizados no Rio de Janeiro foram duramente reprimidos pela polícia, com o uso de armas menos letais como gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral; diversas pessoas foram detidas. Em São Paulo, o protesto que aconteceu no dia 05 de agosto, também foi violentamente reprimido pela polícia e resultou em dezenas de pessoas arbitrariamente detidas, inclusive pelo menos 15 menores de idade. Várias pessoas que estavam em estádios e instalações esportivas portando camisetas ou cartazes de protesto foram retiradas dos locais de competição e impedidas de exercer seu direito à liberdade de expressão."

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