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Zé Roberto, do vôlei, abraça o neto que chora: 'A vida é assim, um dia a gente ganha, o outro a gente perde'

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brazil volleyball china

A terça-feira do 16 de agosto definitivamente apertou o coração de milhões de brasileiros.

Ao longo do dia, as eliminações das equipes femininas de futebol e handebol, responsáveis por momentos de muita garra e talento na Rio 2016, foram sentidas com bastante tristeza pelas jogadoras e pela torcida.

À noite, Felipe, neto de José Roberto Guimarães, técnico da seleção feminina de vôlei, sintetizou o sentimento de muitos: Em uma cena emocionante, aos prantos, ele correu para o abraço do avô.

O garoto de seis anos exprimiu um sentimento comum à equipe, à torcida e aos espectadores que assistiam, incrédulos e entristecidos, à vitória da China sobre as brasileiras nas quartas de final. A eliminação do time da casa foi na noite da última terça-feira (16).

neto zé

Firme, mas bastante abatido, Guimarães abraça o neto e lhe fala, com carinho, sobre seguir em frente:

“Quando ele chegou chorando lá, lógico que aperta mais o coração. O avô tem que ficar firme. O que expliquei para ele foi que isso faz parte da vida, um dia a gente ganha, o outro a gente perde, que ele tinha que aprender isso também. Que o outro time jogou melhor e mereceu. O mais bonito era a festa que todo mundo estava fazendo. A gente só tem que agradecer de estar aqui com todo mundo, uma emoção enorme, e a gente precisa treinar mais para ganhar", disse o técnico ao UOL.

Guimarães tem autoridade para falar dos altos e baixos da vida. Ele já foi campeão olímpico treinando a seleção masculina, em 1992 (Barcelona) e junto com a equipe feminina, foi bicampeão, nas Olimpíadas de 2008 (Pequim) e 2012 (Londres).

As expectativas por um tricampeonato olímpico das meninas neste ano eram altíssimas: Elas vieram de uma bela campanha de classificação, sem ter perdido nenhum set. Na noite de ontem, porém, as chinesas acertaram os passes, ganharam confiança e travaram um jogo bastante dramático com as brasileiras, com a decisão conhecida depois de um sofrido tie-break.

Ao fim do jogo, Felipe não era o único chorando. As lágrimas das jogadoras comoviam a todos.

brazil volleyball china

Guimarães reservou à derrota a mesma intimidade que tem com a vitória: A viveu e deu lhe deu espaço, como mostra esse depoimento à SportTV.

"Toda derrota tem que dar força sempre. A partir de derrotas e fracassos é que a gente se levanta e continua trabalhando. Não dá para falar nada agora, tem que se analisar tudo o que aconteceu, todo o trabalho que foi feito e ver o futuro do voleibol brasileiro. Realmente, é um momento de muita tristeza para a gente e para todo o público. Gostaria de agradecer o apoio todo da torcida e não podemos deixar de falar. O que eles fizeram, nos empurraram, tentaram, então, deixo meu agradecimento. Foi algo emocionante estar aqui, viver esse momento lindo, excepcional e que, talvez, eu não consiga mais viver isso na minha vida."

Entre vitórias e derrotas, a Rio 2016 tem sido um grande demonstrativo do esforço de muitos atletas brasileiros, que com diferentes histórias, driblaram lesões, falta de estrutura, de patrocínio, de apoio e, mais basicamente, de oportunidade. Por mais que os pódios não estejam assegurados, o percurso trilhado por cada um certamente é digno de comemoração. Perder e continuar se dedicando a um objetivo é o tipo de vitória que não precisa ser decidida por um juiz ou um placar.

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