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Joan Benoit foi a primeira mulher a vencer uma maratona olímpica. Agora, ela quer superar seu próprio recorde

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Joan Benoit está prestes a completar 60 anos e continua com um fôlego invejável.

Em 1984, ela foi a primeira mulher a ganhar uma medalha de ouro em uma maratona durante a Olimpíada em Los Angeles. A modalidade feminina foi excluída por quase 90 anos das disputas, enquanto a prova masculina de corrida foi criada logo nos primeiros Jogos modernos, em 1896.

Foi durante a década de 70 que cresceu o movimento para a inclusão das mulheres no tipo mais longo da prova do atletismo. Mas foi somente em 1981 que o COI formalizou a inclusão das mulheres na categoria.

Três anos depois, a imagem de Benoit cruzando a linha de chegada de LA entrou para a História. No mesmo evento, outra cena também se tornou simbólica - o esforço desesperado da suíça Gabriele Andersen, que não ganhou a prova, mas se tornou um símbolo de resistência para inspirar as mulheres que treinam para esse tipo de prova tão extenuante.

joan benoit
Joan Benoit

gabriele andersen
Gabriele Andersen

Trinta e dois anos depois da sua estreia, Benoit veio ao Rio de Janeiro como representante do movimento Nike Women para acompanhar algumas das maiores esportistas do mundo durante os Jogos. Em entrevista ao HuffPost Brasil, ela comemora o esporte como ferramenta de inclusão e diz que é motivada todos os dias pela inspiração das novas gerações de atletas.

HuffPost Brasil: A Rio 2016 é a Olimpíada mais feminina que já tivemos - com mais de 5 mil atletas. Como você se sente sobre este momento de destaque?

Joan Benoit: Eu quero assistir a todas elas! Sei que as mulheres dos Estados Unidos e dos outros países treinaram duro para estarem aqui. Elas seguiram, sobretudo, seus corações e sonhos. Estou torcendo para que elas tenham a mesma oportunidade que eu de viver uma medalha olímpica. Cada uma delas me motiva também porque são jovens e têm ótimas performances. É uma via de mão dupla, nos inspiramos umas nas outras. Isso que é tão bom sobre a corrida como esporte: é inclusivo, é chance de sucesso, é possível para qualquer renda. Acho que por isso a corrida está crescendo tanto em adesão. Corri pelas praias do Rio de Janeiro nos últimos dias e não pude deixar de me surpreender com o número de pessoas praticando o esporte. De todos os físicos, jeitos, descrições. E é isso. Precisamos de mais inclusão nesse mundo hoje.

O que mudou desde a sua estreia nos Jogos?

Fui a primeira mulher a competir na maratona em 1984, há 32 anos. Agora, estou no Rio para torcer pelas atletas dos Estados Unidos. Já tenho idade para ser mãe delas, inclusive competi contra a mãe da Shalane [Flanagan, corredora]. O fato de ter tanta paixão pelo esporte, como tinha naquela época, é o que me motiva completamente. Vou voltar para casa hoje e fazer uma corrida no final de semana. É aniversário da minha primeira vitória, então vou tentar correr mais rápido do que 30 anos atrás, quando tinha apenas 19 anos de idade. Ano que vem faço 60 anos e tentarei completar uma maratona em menos de 3 horas. Eu motivo minha vida por meio dos treinos.

Você tem alguns projetos para incentivar mulheres a correrem. Como eles funcionam?

Depois das Olimpíadas em 84, me perguntei se era capaz de carregar a mentalidade que vinha junto com uma medalha. Então pensei: "você pode fazer isso se puder dar um retorno à comunidade do esporte que te deu tanto". Alguns anos depois, em 1997, depois que meus filhos nasceram, decidi que o que eu queria fazer era trazer os melhores corredores do mundo para minha cidade natal para que pudessem correr com aqueles que fazem isso diariamente, incentivar aqueles que não são profissionais. Temos tido muito sucesso nesses eventos. Tivemos que fechar as inscrições em três minutos porque a lista se encheu muito rápido. Estou orgulhosa.

Você enfrentou preconceito por ser mulher que disputa maratonas?

A maratona é uma metáfora da vida, não é fácil. Mas se você tem paixão pelo que está fazendo e treina, então é possível. Sempre falo para as pessoas construírem seu próprio caminho e isso serve para todas as coisas da vida. Você precisa acreditar em você mesmo e fazer o que acha certo. Quando pulei a primeira estação de água nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, a imprensa disse que eu tinha feito errado. Mas o fato é que eu não estava sendo tão eficiente. Tive que sair disso para achar meu próprio espaço.

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