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'Eu só quero voltar para casa', diz vítima do Boko Haram

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AMINA ALI
Afolabi Sotunde / Reuters
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A primeira de mais de 200 meninas que foram sequestradas de uma escola em Chibok, na Nigéria, a ser resgatada disse nesta terça-feira (16) que seu desejo é um só: ir para sua casa.

Amina Ali foi a primeira a ser resgatada do Boko Haram, grupo extremista que atua no nordeste do país e que mata mais civis do que o Estado Islâmico.

Seu resgate, ocorrido em maio, chamou a atenção da imprensa mundial, e desde então a jovem de 21 anos e seu bebê de quatro meses estão escondidos em uma casa em Abuja, capital do país, para um processo que o governo denominou de "restaurador".

"Eu quero apenas ir para casa. Sobre a escola eu já não sei", contou ela em sua primeira entrevista, a Thomson Reuters Foundation. "Eu vou decidir sobre a escola quando eu voltar, mas não faço ideia de quando irei para casa".

O Boko Haram sequestrou 219 meninas que estudavam em uma escola secundária em Chibok, no mês de abril de 2014. Cerca de 15 mil pessoas morreram e 2 milhões tiveram que deixar suas casas desde o início uma campanha de insurgência do grupo, em 2009.

Pelo menos 57 garotas conseguiram fugir pela mata, mas os pais daquelas que ainda seguem desaparecidas acusam o ex-presidente do país, Goodluck Jonathan, de não fazer esforços para encontrar as meninas, que motivaram uma campanha global, a #bingbackourgirls (traga as nossas garotas de volta, em tradução livre).

"Eu penso muito nelas, e pediria que elas continuassem esperançosas e rezando", diz ela, sobre as meninas que seguem em cativeiro. No último domingo (14), extremistas divulgaram um vídeo onde algumas das meninas aparecem - parte delas teria sido morta em ataques aéreos.

Ali foi encontrada pelo exército em maio em uma floresta, junto com um suposto militante do Boko Haram, Mohammed Hayatu, que disse também ser seu marido. De acordo com a CNN, o homem também disse à testemunhas que foi sequestrado pelo grupo. Ele atualmente está em um presídio militar, onde é investigado por autoridades nigerianas.

À Reuters, ela disse estar triste por ter sido separada do pai da sua bebê.

"Eu quero que ele saiba que eu ainda penso nele. Não é porque fomos separados que eu não penso mais nele", contou.

A mãe de Ali, Binta, ficou dois meses junto com a filha na capital, mas já retornou a Chibok. Ela teme pelo futuro da menina, que contou que as meninas que seguem vivas estão famintas, comendo milho cru para sobreviver. Aos poucos, segundo, ela, sua filha vai se reacostumando à nova vida, e já dorme melhor.

Segundo o governo nigeriano, autoridades estão em contato com o Boko Haram negociando a libertação das meninas.

"Eu não tenho medo do Boko Haram. Eles não são meu Deus", afirma Ali.

(Com informações da Reuters)

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