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Bailarina teve de amputar perna por causa de câncer, mas isso não a impediu de dançar novamente

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Uma adolescente que perdeu a perna devido a um câncer desafiou todas as probabilidades para dançar em competições.

Quando amputou a perna, Gabi Shull teve receio de que seus dias de dançarina haviam acabado para sempre.

Mas, graças a uma cirurgia inovadora, chamada de plastia de rotação, a sobrevivente de câncer ósseo, de 14 anos, foi capaz de dançar novamente.

Agora, Gabi está usando sua experiência para ajudar outros jovens que lutam contra o câncer a realizar seus sonhos.

gabi
Gabi Shull pode dançar novamente graças a uma cirurgia inovadora

Gabi foi diagnosticada com osteossarcoma em março de 2011, quando tinha apenas 9 anos.

Seu joelho foi removido, e o pé sofreu uma rotação de 180 graus e reanexado à sua coxa — o tornozelo passou a ter a função do joelho.

A adolescente implantou uma perna protética na parte inferior e deu os primeiros passos um ano depois.

Gabi, nascida no estado de Missouri, Estados Unidos, agora pode dobrar e flexionar a prótese ao mexer o pé.

Ela disse: “Depois que tive a perna amputada, a prioridade era andar outra vez e sair da cama do hospital. Mas, o que me motivou a andar foi o pensamento de dançar de novo, porque apenas queria dançar”.

gabi logo depois da amputação
Gabi logo depois da amputação

Gabi, que começou a dançar quando tinha 6 anos, percebeu pela primeira vez que havia um problema com seu joelho depois de cair sobre ele, quando estava patinando no gelo.

A princípio, seus pais pensaram que o joelho apenas estava machucado, mas, depois de duas semanas sem melhora, eles a levaram ao hospital para um raio-x.

Inicialmente, os médicos pensaram que ela havia sofrido uma fratura por estresse, mas uma ressonância magnética semanas depois mostrou que Gabi tinha câncer.

Debbie Shull, mãe de Gabi, disse: “Fomos ao médico, e ele nos deu a notícia: ‘Sua filha pode ter o que pensamos ser câncer. Um tipo de câncer chamado de osteossarcoma’.”

“Ficamos chocados. Ele teve de repetir o que havia dito, porque eu não acreditava nele. Pensei que não tivesse ouvido direito”, disse a mãe.

“Gabi me perguntou por que aquilo havia acontecido com ela, e dissemos: ‘às vezes, coisas ruins acontecem com pessoas boas, não sabemos o porquê, mas temos de fazer o nosso melhor para enfrentar isso — e foi o que fizemos.”

Gabi embarcou em 12 semanas de quimioterapia para encolher o tumor até um tamanho operável.

Ela teve várias opções de tratamento e amputações, mas a família escolheu a cirurgia de plastia de rotação, e assim proporcionar à filha uma melhor mobilidade e movimento.

ballet

Debbie disse: “Conversamos com Gabi e começamos a assistir a vídeos de crianças no ‘rollerblade’, escalando, e esquiando na água depois da plastia de rotação”.

“Descobrimos que não há absolutamente nada contra a plastia de rotação, exceto pela aparência, mas, se você conseguir superar isso e focar na sua qualidade de vida, então terá ganhado tudo e perdido nada”, afirma Debbie.

“Cerca de 12 cirurgias de plastia de rotação são realizadas por ano nos Estados Unidos; não se trata de uma cirurgia comum.”

Gabi agora está totalmente confortável com sua perna, mas levou tempo para se adaptar.

“Agora, meu tornozelo funciona como a articulação do joelho”, disse. “Permite que eu faça coisas que não seria capaz com outras [opções de] cirurgias, como dançar ou fazer parte da torcida, escalar e patinar no gelo.”

O processo de recuperação foi difícil para Gabi, mas ela estava determinada em ficar de pé outra vez.

“Foi doloroso no começo. Tinha medo de colocar peso na perna e precisava voltar a movimentar meu tornozelo, porque ficou congelado em [um ângulo de] 90 graus”, diz Gabi.

“Levei cerca de um ano e várias sessões com um personal trainer para dar os primeiros passos sem ajuda, e um ano depois estava dançando no palco de novo”, acrescentou.

“A cirurgia permitiu que eu fizesse muito mais do que esperava, e nunca voltaria atrás e mudaria [a decisão]”.

Agora, Gabi está participando de competições de dança e serve de inspiração para seus professoras de dança e colegas de classe.

gabi e a mãe debbie
Gabi e a mãe Debbie

Gabi também está aproveitando suas experiências para ajudar os outros por meio do projeto “The Truth 365”, uma campanha nas mídias sociais que dá voz às crianças que sofrem de câncer.

A campanha chama a atenção para o câncer na infância, e Gabi é a porta-voz nacional do projeto.

“Ela tem ido muito além do que qualquer um poderia imaginar”, disse Debbie.

“É uma criança determinada, e nenhum de nós a considera deficiente. Às vezes, esquecemos que ela tem a prótese”, completa a mãe.

Gabi tem sonhos ainda maiores para o futuro: “Quando eu tiver mais idade, gostaria de me especializar em pediatria na faculdade ou trabalhar como enfermeira ou cientista para ajudar a encontrar a cura para o câncer”.

“Se sou capaz de vencer o câncer, viver com uma perna protética e aprender tudo de novo — então acredito que posso fazer qualquer coisa”, conclui Gabi.

Para mais informações sobre o projeto “The Truth 365”, visite o site.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost Uk e traduzido do inglês.

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