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Ryan Lochte pede desculpas, fala em 'cuidado e franqueza', mas não reconhece mentira

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RYAN LOCHTE
USA Today Sports / Reuters
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Depois de dias de silêncio, o campeão olímpico Ryan Lochte se manifestou, na manhã desta sexta-feira (19) sobre o falso assalto envolvendo ele e mais três nadadores americanos.

Lochte e o nadador James Feigen vão ser indiciados por falsa comunicação de crime. Os dois inventaram à Polícia Civil do Rio de Janeiro que haviam sido roubados no domingo (14). O "assalto" foi na verdade uma confusão em um posto de gasolina no Rio, iniciada pelos atletas, que vandalizaram o estabelecimento.

O nadador disse que deveria ter sido mais "franco e cuidadoso em descrever os incidentes", mas em nenhum momento reconhece que contou uma mentira à polícia. O atleta ainda ustificou sua demora em se manifestar sobre o incidente afirmando que "esperou para compartilhar esses pensamentos até que fosse confirmado que a situação legal estava encaminhada e que estivesse claro que os colegas americanos chegariam em casa em segurança".

"É traumático estar na rua até tarde com os seus amigos, em um país estrangeiro - com uma barreira linguística - e um estranho apontar uma arma para você e exigir dinheiro para deixar você ir, mas independentemente do comportamento de qualquer outra pessoa naquela noite, eu deveria ter sido muito mais responsável na forma como me comportei e, por isso, sinto muito pelos meus colegas de equipe, meus fãs, meus adversários, meus patrocinadores e os anfitriões deste evento incrível".

Inicialmente, o relato dos atletas dava conta de que eles estavam voltando de uma festa na Casa da França, na Zona Sul do Rio, quando foram parados em uma falsa blitz e roubados. Lochte chegou a confirmar o assalto - mudando um pouco a versão, ao dizer que eles foram abordados em um posto de gasolina - em uma entrevista à emissora americana NBC e a afirmar categoricamente: "Nós não inventaríamos isso. Fomos vítimas e estamos felizes por estarmos seguros".

Entre os quatro envolvidos no episódio, ele foi o único a deixar o Brasil antes que a polícia determinasse a retenção dos passaportes nos envolvidos no caso. Lotche retornou aos EUA na segunda-feira (15). Na quarta-feira (17), logo após a determinação judicial, Gunnar Bentz e Jack Conger foram impedidos de embarcar, e na quinta (18), prestaram depoimento.

Ao jornal O Globo, o advogado de Lochte, Jeff Ostrow, afirmou que em nenhum momento foi solicitado que o atleta permanecesse no Brasil, e acusou a polícia brasileira de "fazer um circo", para "salvar sua pele".

O outro envolvido no caso, o medalhista Feigen terá que pagar uma multa de R$ 35 mil - o acordo foi firmado após negociação em quatro horas de audiência.

Na nota, divulgada em suas redes sociais, o nadador reconhece sua "responsabilidade no acontecimento" e afirma que aprendeu "valiosas lições".

"Muito já foi dito e muitos valiosos recursos já foram dedicados para o que aconteceu no último final de semana, então eu espero que nós gastemos nosso tempo celebrando as histórias e performances incríveis desses jogos e olhemos para frente celebrando sucessos futuros."

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