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Uma empresa de buffet francesa emprega refugiados para cozinhar sua comida típica

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REFUGIADAS COZINHAM
“As pessoas precisam perceber que os refugiados estão aqui, ao nosso redor, e são pessoas como qualquer um de nós, tentando construir uma vida”. | divulgação
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Dizem que uma boa alimentação é o caminho para o coração das pessoas ― e é exatamente isso que esses empresários franceses esperam.

Os franceses Louis Jacquot e Sébastien Prunier começaram uma empresa de buffet chamada “Les Cuistots Migrateurs” ― ou “Os Cozinheiros Imigrantes” ― em fevereiro, empregando refugiados e imigrantes que trabalham e servem comidas típicas para os parisienses.

A meta é tanto oferecer oportunidades de trabalho como mudar a percepção dos franceses sobre os imigrantes.

“Os refugiados estão em todos os noticiários”, contou Jacquot ao The Huffington Post. “Eles estão aqui, mas suas habilidades não são valorizadas. Queríamos dar uma oportunidade de mostrar o que são capazes de fazer ― e também fazer com que os franceses os conheçam e mudem a narrativa sobre os imigrantes”.

oportunidades

Dois cozinheiros sírios, que trabalham para o Les Cuistots Migrateurs, servem entradas sírias em um local em Paris.

A França concedeu status de refugiado a cerca de 19.500 pessoas no ano passado, de acordo com o The New York Times.

Mas essas pessoas nem sempre recebem uma calorosa recepção no país. No ano passado, o prefeito de uma cidade do Sul da França disse aos sírios, “Vocês não são bem-vindos aqui”.

E no final de 2015, o partido de extrema direita francês, A Frente Nacional, ganhou com vantagem nas eleições regionais, por terem uma plataforma anti-imigração.

É nesse ambiente que o Les Cuistots expressou empregar nove cozinheiros da Síria, da Etiópia, do Sri Lanka e outros. Desde fevereiro, eles já serviram em cerca de 20 eventos.

“Tudo o que as pessoas sabem é o que veem na TV e leem sobre ‘la jungle’ em Calais”, disse Jacquot, referindo-se ao campo de refugiados improvisado no Norte da França conhecido por estar em terríveis condições. “Vimos pessoas que foram servidas pelos refugiados e que disseram,

‘Onde estão os refugiados?’ Ele estava bem na sua frente. Mas por estar usando óculos de sol e falando francês [não perceberam]... As pessoas precisam perceber que os refugiados estão aqui, ao nosso redor, e são pessoas como nós, tentando construir uma vida”.

A empresa também tem um estande no terraço de um local de concertos e no restaurante Le Petit Bain, onde dois sírios cozinham e vendem entradas durante todo o verão até setembro. Para os ‘brunches’ de domingo e eventos especiais, Les Cuistots traz chefs de outros países.

pratos tipicos

As especialidades iranianas preparadas por Rashid, um dos chefs do Cuistots Migrateurs.

Para Jacquot, trate-se de empregar migrantes e mudar as percepções e ao mesmo tempo trazer mais diversidade ― e autenticidade ― para o paladar francês.

“É uma pena que muitos restaurantes aqui vendam comida de outros países, mas que os cozinheiros não sejam de lá ― a maioria dos locais de sushi em Paris são na verdade de chineses”, disse Jacquot. “Para nós é importante que os chefs cozinhem sua própria comida, que não sejam sírios cozinhando um boeuf bourguignon francês”.

O negócio ainda está crescendo. Atualmente os chefs sírios no Le Petit Bain são os únicos empregados contratados em tempo integral e o resto dos cozinheiros estão sob contratos de curto-prazo, renovados a medida que novas oportunidades aparecem. Jacquot espera que no futuro eles possam empregar todos os chefs em tempo integral.

Jacquot também têm uma visão do futuro além do buffet, talvez com um serviço de entrega de comida ou uma praça de alimentação que mostre diversas culinárias. Mas sua meta final é ter um modelo que possa ser replicado por outras pessoas.

“Fazemos a comida, mas espero que nosso projeto inspire outras iniciativas em outros campos”, disse Jacquot.

“No fim das contas, os refugiados estão aqui ― eles não podem voltar aos seus países, frequentemente, por muitos anos. Acreditamos que eles devem ser vistos como uma oportunidade, não uma ameaça ou fardo”.

Para pedir serviços de buffet do Les Cuistots Migrateurs, visite o website, ou para ficar por dentro dos últimos eventos em Paris, confira a página deles no Facebook .

Via The New York Times.

(Tradução:Simone Palma)

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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