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'O futebol feminino não para por aqui.' Conversamos com Marta, Bárbara e Formiga

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JOGADORAS
Futebol das brasileiras encantou os torcedores | REUTERS/Gonzalo Fuentes
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Perder nunca é bom para nenhum atleta. Machuca, dói, dá sempre a sensação de que poderia ser diferente. Na tarde desta sexta-feira (19), na Arena Corinthians, esse era o tom de fala das jogadoras brasileiras que lutaram, brigaram, suaram, mas não conseguiram segurar uma medalha do futebol feminino aqui no nosso País.

"Vai ganhar sempre que errar menos e colocar em jogo o que passou treinando durante quatro anos", disse Bárbara ao HuffPost Brasil, ainda no estádio, após a derrota para as canadenses por 2 x 1.

Na visão de Marta, capitã e camisa 10 da Seleção, as meninas mereciam melhor sorte no torneio Olímpico. Aos 30 anos, a maior jogadora da história da modalidade no País, ainda não sabe se continua defendendo a amarelinha.

"Tenho dois, três dias de folga e já preciso voltar para meu clube na Suécia. Tenho uma final lá. É muito complicado para o atleta. Nós não temos tempo para pensar, se lamentar, ou pensar que daqui a quatro anos vou estar disputando medalha numa Olimpíada. A gente precisa viver um dia de cada vez. Vou deixar as coisas acontecerem, o tempo passar para poder decidir", disse, ainda com o sangue quente pelo resultado adverso.

Não é a primeira vez que as meninas se destacam numa disputa olímpica. Já são duas medalhas de prata, lembra? O que foi diferente então? Para a goleira Bárbara, o carinho dos torcedores. "A gente sabe da repercussão que a gente deu [para o futebol feminino]. É disso que a gente precisa, do apoio do brasileiro, de incentivar não só no momento das Olimpíadas", conta.

A goleira, que classificou o Brasil com duas defesas de pênaltis contra a Austrália, acredita que o sucesso de público - não só nos jogos das brasileiras, diga-se - pode render novos atletas num futuro próximo.

"A visibilidade aumentou. É o momento para os pais liberarem as meninas a fazer futebol, a fazer esporte. Precisamos implementar o futebol para as meninas nas escolas. Eu tive essa sorte. Consegui bolsas de estudo porque jogava", conta a goleira.

"A gente conseguiu mostrar para o povo brasileiro o quanto queríamos a medalha. Estamos felizes em ver que o povo esteve com a gente mesmo nos momentos mais difíceis", complementa a incansável Formiga.

As coisas podem mudar, segundo Bárbara, com o apoio do público daqui para frente: "Vou pedir encarecidamente para a nossa torcida maravilhosa que vem nos acompanhando e enchendo os estádios para que não desistam da gente. Da mesma forma que eles nos dão apoio, nós damos o nosso máximo".

"Só Deus sabe o quanto a gente sofre para jogar", conta Bárbara, lembrando o isolamento que as atletas sofrem por conta dos períodos de treino. Logo depois ela completa o raciocínio: "O futebol feminino não para por aqui. Pelo contrário, a gente vai continuar lutando cada minuto, cada segundo, para conseguir realizar o nosso sonho".

Com tanta vontade das meninas, é impossível imaginar que seria diferente. Tóquio é logo ali, meninas.

"Precisamos de futebol feminino nas escolas, nos grandes clubes, o Brasil inteiro tem que abrir as portas para o futebol feminino para os talentos. Infelizmente, muitos são desperdiçados ou vão embora do nosso país logo cedo", defende a eterna Formiga, que já anunciou aposentadoria.

"É preciso ter renovação na base para pensar numa medalha no futuro." A camisa 8 quer ajudar as novas jogadoras e vai atrás de fazer a transição para a tornar-se técnica. "Onde houver oportunidade, vou estar lá para ajudar."

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