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Receita de ouro: O que fez de Bernardinho o técnico mais vitorioso do Brasil

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bernardinho

Inovador e visionário. Líder e gestor. Agressivo e perfeccionista. Chato e insuportável. Dedicado e incansável. Vitorioso.

São muitos os adjetivos atribuídos a Bernardinho, mas o fato é que ele acumula mais de 30 títulos importantes em mais de 20 anos de carreira dirigindo as seleções brasileiras feminina e masculina de vôlei.

Se existe uma receita secreta para essas conquistas, não se sabe. Porém, o que torna Bernardo Rocha de Rezende, com quase 57 anos, exemplar naquilo que faz é a sua capacidade de enxergar nos atletas o melhor que eles podem ser — ele estimula e desafia cada um dos jogadores disponíveis a superar os seus limites.

Só depois do foco nas pessoas é que vêm os fundamentos do vôlei. O bê-á-bá dos passes, levantamentos, saques e bloqueios serve como alfabeto em uma sopa de letrinhas que o técnico traduz em belas jogadas executadas com força e explosão. Tudo isso com muito direcionamento dos gritos, ou melhor, dos berros que já se tornaram marcas registradas do técnico.

Amarrar um time que faça sentido não é fácil. O todo depende do conjunto, que depende de cada um. E Bernardinho quem orquestra tudo isso com estratégias e táticas eficientes. Somente quem tem tanta experiência quanto ele é capaz de imaginar em uma única jogada não apenas a bola, os atletas e a rede, mas toda a quadra, os adversários, os juízes e também o banco de reserva.

E esse momento? Mágico! Homenagem mais do que merecida a esse técnico mais do que vitorioso! #vôlei #voleibol

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Experiência dentro e fora das quadras

Antes de ser técnico, Bernadinho foi atleta. Passou pelos times do Rio de Janeiro e pela seleção brasileira de vôlei. Em 1988 parou de jogar, mas não deixou as quadras; deu início à carreira de treinador como assistente-técnico da seleção de Bebeto de Freitas, na Olimpíada de Seul.

Dois anos depois, assumiu sozinho a equipe feminina do Perugia, na Itália, onde ficou até 1992. No ano seguinte, trabalhou junto à equipe masculina do Modena, também na Itália. Foi ao retornar ao Brasil, em 1994, que ele assumiu o comando da seleção feminina, em que permaneceu até 2000.

Foi com o êxito nas quadras que o técnico desenvolveu toda uma visão de mundo que usa em suas conferências: a "Roda da Excelência". Ele valoriza o trabalho em equipe, a liderança, a motivação, a perseverança e outros conceitos tão comuns para incentivar seus atletas a saírem sempre da sua zona de conforto.

"O Bernardinho trouxe uma mentalidade diferente para a seleção. Tirou a gente do que chama de 'zona de conforto'. Passamos a acordar mais cedo, a fazer um esforço adicional. E, de uma seleção que não vencia nada, passamos a vencer tudo", argumentou Gustavo, ex-central da seleção.

Quinze anos à frente do principal time masculino da modalidade e ele continua sendo referência. Eleito jogador mais valioso da Rio 2016, o líbero Serginho acompanha Bernardinho desde o início - só ficou de fora do time por dois anos - e afirma que o treinador pode até ter mudado. Ele já não grita tanto quanto antigamente, mas a essência continua, disse o líbero em entrevista ao GloboEsporte.

"Ele mudou bastante. Eu diria que está mais velho e que está menos agressivo. Ele já foi muito mais agressivo na forma de cobrança. Deveria aumentar essa agressividade nos treinos. Eu o vejo hoje mais tranquilo e isso não é dele (risos). Eu tenho só que parabenizar pelo trabalho. Sei como é a dedicação, o caráter do homem, o cara trabalhador que ele é. É a pessoa certa para estar na frente da seleção brasileira até hoje porque trabalha e se dedica. Sei do que estou falando porque convivo diariamente."

Jornada dupla

Incansável, Bernardinho se divide entre a seleção e o time feminino do Rio de Janeiro e vive as disputas como se fossem a primeira vez.

Este ano, ele foi para sua 12ª final da Superliga feminina como técnico do time e o nervosismo e a cobrança eram os mesmos.

"Sou muito chato com elas. Continuo ansioso, chato e insuportável. Porque a importância dessa partida, para mim, é total. A ansiedade é como se fosse antes do primeiro jogo. Em casa, dizem: 'Não é possível que você fique assim depois de tantos anos'."

Natália, atleta do time, reconhece que a motivação do treinador é essencial:

"Ele sabe como manter o time com vontade, motivado. Você olha, 12ª final consecutiva, e acha que ele já está acostumado. Mas ele se importa. Cada vitória é importante para ele. Então vamos em busca dessa mais uma vez."

O futuro

Após conquistar a sétima medalha olímpica com a vitória na Rio 2016, Bernardinho não sabe o que dizer sobre o seu futuro.

O técnico agora precisa de um tempo para pensar nos próximos passos e não confirmou se vai ficar no comando da seleção. Mas um fim absoluto da sua trajetória no vôlei certamente não está em jogo.

"As pessoas se motivam por dois aspectos: necessidade e paixão. Na minha vida, não me faltou nada, não lutei por necessidade, tive todas as oportunidades. O que me moveu foram os desafios. Continuar vencendo depois de uma vitória como essa? Esse é o grande desafio, e é isso que me instiga. Mas preciso pensar nisso. Há novas fotografias lindas pela frente, há sempre uma nova montanha a conquistar."

Para além das sete medalhas olímpicas - uma como jogador (em Los Angeles, quando era levantador) e seis como treinador, que foram o bronze em Atlanta e Sydney, com a seleção feminina, a prata em Pequim e Londres, e ouro em Atenas e no Rio -, Bernardinho tem três Mundiais (2002, 2006 e 2010) e oito Ligas Mundiais (todas as edições de 2001 a 2010, com exceção de 2002, prata, e 2008, fora do pódio) já cravados no currículo.

No comando da seleção masculina desde 2001, o Brasil nunca ficou fora do pódio em mundiais e Olimpíadas. Resta alguma dúvida da intensidade desse técnico?

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