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Primeiro debate para a prefeitura de SP é marcado por ataques entre candidatos e poucas propostas

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Não deu tempo nem de sentir saudades da Olimpíada, e os jogos da vida real já bateram na porta do brasileiro. É hora de eleição, de ouvir bem o que o seu candidato promete e escolher a melhor opção para governar sua cidade. O HuffPost Brasil acompanhou o primeiro debate entre os candidatos à prefeitura de São Paulo, a maior cidade do País. Mas parece que os políticos trocaram as propostas pelos ataques. As ideias pelas ofensas. Foi o que mais se ouviu ao longo de duas horas e meia de programação.

Promovido pela TV Bandeirantes, o primeiro debate contou com a presença de apenas cinco candidatos: o atual prefeito, Fernando Haddad (PT), Celso Russomano (PRB), Marta Suplicy (PMDB), João Doria (PSDB) e Major Olimpio (Solidariedade). A candidata do PSOL, Luiza Erundina - que aparecem na terceira colocação nas pesquisas com 10% de intenção de votos -, não pôde participar do debate devido à Lei Eleitoral, que autoriza apenas candidatos com pelo menos nove deputados federais a participar dos eventos. O PSOL conta apenas com seis e precisaria da autorização dos demais concorrentes para participar - o que não aconteceu.

Marta, Haddad e João Doria trocaram ataques durante todo o debate. O principal alvo foi a gestão do petista na prefeitura paulista. A candidata do PMDB até começou bem na sua primeira participação. Questionou o tucano sobre a ideia de acabar com as secretarias dedicadas às mulheres, negros e à diversidade sexual. "Por que você chamou negros, gays e mulheres de penduricalhos, Doria?". O empresário prontamente se defendeu: "Eu nunca disse isso. Não vou cortar essas secretarias. Vou ajudar as minorias", disse, voltando atrás à sua afirmação da semana passada.

Líder nas principais pesquisas - com uma média de 25% - Celso Russomano foi preterido pelos adversários e quase não foi provocado ao longo do debate.

O debate ia passando e pouca proposta se ouvia. Era um candidato tentando desconstruir a verdade alheia. Eu sou o certo, você é o errado. Eu entendo, você é o ignorante. Uma briga de egos em que a velha política brasileira se construiu e o resultado a gente já sabe qual é.

A gestão de Haddad foi a base das críticas dos seus concorrentes. O programa Braços Abertos, que já conseguiu reduzir em mais de 65% o uso de crack na região da Luz, conhecida como Cracolândia, virou alvo de Major Olimpio e de Marta Suplicy.

Olimpio alegou que o programa não resolveu em nada. "Virou um Braços Abertos para o traficante, isso sim. A ex-prefeita disse que falta "espiritualidade" para tratar o tema. "A espiritualidade, a religião é a solução para o drogrado", disse a candidata.

A periferia também não escapou das críticas de Olimpio. O baile funk, segundo ele, é um antro "de traficantes e criminosos".


Educação, Transporte e Saúde

Em quase todos os blocos do debate, o tema Transporte apareceu. Doria e Haddad discutiam o transporte público da cidade e os corredores de ônibus. O tucano disse que faltava planejamento. "Vamos reestudar algumas faixas de ônibus. Estudar porque é algo que vocês não fazem. Vocês geralmente fazem malfeito", criticou. Haddad rebateu com mais ataque e disse que o adversário não conhece a cidade. "Essa classe social gosta de fazer turismo na periferia", disse.

Marta também entrou na discussão e, em uma das poucas propostas, prometeu criar mais seis corredores de ônibus. No entanto, ciclovia, para ela, não é prioridade. "Nem Minhocão, nem ciclovia são minhas prioridades se eu for eleita", disse a candidata.

Indiretas não faltaram. A própria Marta, por exemplo, destacou a falta de experiência de Doria e Russomano. "São Paulo não é um reality show ou uma empresa para resolver por telefone", alfinetou. O tucano rebateu e vinculou Marta ao PT. "Quem é petista, sempre será", disse.

Nem mesmo quando os eleitores perguntaram durante o debate, as propostas não apareciam. Anildes, de 41 anos, questionou sobre a falta de médicos especialistas. De Marta, recebeu uma resposta totalmente diferente: "Me comprometo em regularizar a falta de remédios depois de 30 dias", afirmou.

Isabel Borsol, moradora do Morumbi, perguntou sobre a falta de vaga na educação infantil - mais de 75 mil crianças estão na fila por uma vaga. Haddad prometeu criar mais 100 mil vagas caso seja reeleito. Russomano disse ao eleitor que o atual prefeito destruiu a educação, mas não propôs melhorias. "A qualidade da educação é muito ruim. A gestão sumiu e ninguém acha", disse.

Corrupção

Na rotina dos ataques Doria e Olímpio não se esqueceram de ligar Haddad ao governo Dilma Roussef e à Lava Jato. "Quem no PT tem moral para falar de corrupção? O senhor não justifica nem de onde vem o dinheiro da sua campanha", criticou o candidato do Solidariedade.

"Em todas as instituições têm maus elementos. O PMDB da Marta tem vários acusados de corrupção. O PSDB do Doria tem acusado de corrupção. E o seu partido nem vou comentar", disparou o prefeito.

Protesto

Do lado de fora da emissora, Luiza Erundina fez um ato em frente à TV Bandeirantes para protestar contra a sua ausência no debate. Atacou Doria, Marta e Olimpio, que foram contra a sua presença, e também Russomano, que chegou a afirmar que não iria ao debate em solidariedade à candidata - mas acabou desistindo da ideia.

Ao longo do debate, Erundina e Ivan Valente, seu vice, se dirigiram a uma casa no Morumbi, cedida por aliados, para fazer uma transmissão ao vivo nas redes sociais e comentar as respostas dos seus adversários ao longo das perguntas no debate. "Não dá pra saber o que os candidatos querem para São Paulo. Atacam um e outro, mas não têm proposta", disse Erundina ao final da transmissão.

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