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Conversamos sobre igualdade de gênero na TV com as atrizes de 'Justiça'

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Ainda não completou uma semana desde a estreia de Justiça, mas já se pode cravar: a nova minissérie da Globo é um sucesso. Críticos de TV e público estão em sintonia nos elogios feitos à atração - dentro e fora das redes sociais.

É possível elencar alguns motivos para a boa recepção da trama: elenco afiado, formato inovador para os padrões da TV aberta, a cidade de Recife como pano de fundo e o acabamento visual com requintes cinematográficos.

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A autora, Manuela Dias, e equipe de roteiristas da minissérie

No entanto, o ponto alto da minissérie de Manuela Dias talvez esteja em outro fator. Ou melhor, em dois outros fatores: sua proposta (discutir a noção justiça no âmbito particular) e os temas atuais que aborda (eutanásia, racismo, violência contra mulher, entre outros).

Ao HuffPost Brasil, a autora conta que a ideia da minissérie surgiu depois de um caso real vivido por ela. “O marido da moça que trabalhava na minha casa foi preso por ter matado um cachorro. E ela me pediu ajuda para resolver a situação. Aquilo mexeu comigo, e me inspirou a pensar na dimensão pessoal da justiça”, revela.

Essa dimensão pessoal, como o público tem visto na TV, passa longe das famigeradas cenas de tribunais, com sujeitos discutindo processos jurídicos e leis. Na trama, os personagens vivem dilemas morais bem próximos à realidade dos brasileiros. “A série quer discutir onde a justiça bate na vida das pessoas”, diz Manuela.

As mulheres são também um ponto forte da minissérie.

Adriana Esteves, Camila Márdila e Jéssica Ellen são algumas das atrizes que dão vida a personagens viscerais, que lidam com situações-limite. A autora assume que isso é fruto de seu fascínio por personagens femininos. “A mulher tem essa força de sobrevivência. Se o homem tem uma força de transcendência; de arriscar, talvez, a própria vida, a mulher tem essa característica de ‘ter que sobreviver’ muito forte”, teoriza.

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Jéssica Ellen no evento de lançamento de 'Justiça'

Uma das situações-limite abordadas por Justiça é o racismo. Na minissérie, a personagem Rose (Jéssica Ellen), filha de uma empregada acaba presa por sete anos por porte de drogas em uma situação claramente racista.

Para a atriz, tratar sobre racismo na mídia aberta não é uma questão delicada. Pelo contrário, para trata-se de um assunto urgente a ser discutido. “A gente vive num país que foi um dos últimos a abolir a escravidão. O Brasil é um país racista, a gente vive isso e fingir que não, é “caôzinho’”, diz.

Em Justiça, a personagem de Jéssica também lidará com outra situação limite: o abuso sexual, sofrido por grande amiga. A atriz acredita que discutir esse tipo de assunto na TV aberta é bom para as próprias mulheres. “A gente precisa de mulheres empoderadas. Elas estão aí, a questão é que ainda não se reconhecem. Elas precisam se ver na televisão, porque a TV ainda é o veículo que mais alcança pessoas no Brasil”, explica.

Quem também enxerga como fundamental a participação da TV na discussão de questões ligadas ao empoderamento feminino é Camila Márdila, que faz sua estreia na Globo na pele de Regina. “A TV ainda tem um papel enorme pela frente de cuidar dessa questão da representação da mulher, de como a ela se coloca na sociedade. Existem alguns clichês que já não podem mais ser repetidos na televisão”, afirma.

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Camila Márdila vive a personagem Regina em 'Justiça'

Camila ficou conhecida depois de dar vida à personagem Jéssica, no premiado Que Horas Ela Volta? (2015), uma jovem inteligente que enfrenta a hierarquia de poder estabelecida na casa dos patrões de sua mãe, uma empregada doméstica.

Em Justiça, a personagem Regina também carrega traços que fogem dos criticados clichês e que a aproximam do cotidiano de muitas brasileiras. Mulher de fibra, ela trabalha vendendo empadinhas na capital pernambucana. Ao visitar o pai na cadeia, ela acaba se apaixonando por Vicente (Jesuíta Barbosa), com quem se casa e tem uma filha enquanto ele cumpre seus sete anos de condenação.

“Esta é uma minissérie de personagens femininas de muita ação, muita atitude. Elas têm o seu ponto de virada, um protagonismo que eu acho muito válido”, elogia a atriz.

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Adriana Esteves e Vladimir Brichta, ambos presentes na minissérie

Veterana da Globo, Adriana Esteves interpreta Fátima, mulher humilde que é incriminada injustamente por um vizinho. Após sete anos de prisão, ela parte em busca da família perdida e de vingança.

Assim como a novata Camila Márdila, Adriana elogia o protagonismo das mulheres em Justiça e cobra: “Precisamos de mais mulheres em tudo, por favor. Em todas as áreas”. Questionada por que, ela responde: “Porque elas são iguais aos homens, oras. Aliás, está tarde para isso ainda não ter mudado, né? Estamos em 2016”.

* O jornalista viajou ao Rio de Janeiro a convite da TV Globo.

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