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Último round para Dilma: Começa etapa final do julgamento do impeachment

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DILMA LEWANDOWSKI
Montagem/AGPT/Agência Senado
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O Senado Federal começa nesta quinta-feira (25) o julgamento final do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. Longe do palácio do Planalto desde 17 de abril, quando a Câmara dos Deputados decidiu instaurar o processo de impeachment, a petista assistiu por quase quatro meses a tramitação do impedimento no Senado.

Nesta reta final, com previsão de encerrar só na quarta-feira (31) da próxima semana, Dilma ainda batalha para conseguir pelo menos 28 votos para salvar o mandato. Nos últimos dias, ela tem tentado negociar com senadores que eram mais próximos ao governo para reverter o cenário negativo.

Dentro do Palácio do Planalto, a expectativa é que o presidente em exercício, Michel Temer (PMDB), consiga pelo menos 63 votos. São necessários 54 dos 81 senadores para que se torne o presidente efetivo do País. Na votação do último dia 9, Dilma se tornou ré com aval de 55 senadores. Apenas 22 votaram contra.

Apesar da conjuntura desfavorável, senadores próximos a petista estão confiantes. A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), por exemplo, acredita que a petista será inocentada. Para ela, Dilma está sendo traída.

"Nós estamos trabalhando para, daqui até o dia do julgamento, mostrar isso à nação. A presidente Dilma estará sentada aqui na próxima segunda-feira. Aqui ela não estará na condição de ré. Aqui ela estará na condição de vítima, e eles sabem disso.”

Em contrapartida, os que preferem a permanência de Temer refutam a tese de golpe e traição. "Chega de repetirem tantas vezes uma mentira para que ela se torne realidade. Isso não é democracia”, dispara a senadora Ana Amélia (PP-RS). Ela diz estar cansada de ouvir que a petista não cometeu crime.

Processo

Nos próximos sete dias, os senadores atuarão como juízes para decidir se a petista cometeu crimes de responsabilidade. Serão ouvidas testemunhas de acusação e defesa. Todo processo será mediado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski. O ministro também poderá fazer perguntas às testemunhas.

A própria presidente vai pessoalmente se defender na segunda-feira. Os senadores e advogados de acusação e defesa poderão fazer perguntas, mas ela tem o direito de não responder.

“Ela vem numa demonstração de que nada tem a temer, vem de peito aberto para responder a todas dúvidas e interrogações dos senadores. Isto também vai se refletir na sociedade como reforço a ideia de que a sociedade absorveu de que estamos vivendo um golpe. Não tenho dúvida de que isso será relevante para o retorno dela”, defendeu o senador Humberto Costa (PT-PE).

Dilma é acusada de ter cometido ‘pedaladas fiscais’, com a edição de decretos de crédito suplementar sem autorização do Congresso e de ter usados recursos de bancos públicos para cobrir despesas de programas sociais.

Cada testemunha será ouvida separadamente. Os senadores terão, cada um, seis ministros para fazer perguntas e as testemunhas terão o mesmo tempo para responder. Ao todo, oito pessoas serão ouvidas, duas para fazer acusações e seis, a defesa.

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