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Este homem está pagando as multas de mulheres que usam burkins na França

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RACHID NEKKAZ
Charles Platiau / Reuters
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Um empresário muçulmano que se ofereceu para pagar as multas de mulheres punidas por usarem burkinis na França afirmou, em entrevista ao Huffington Post, que está apenas defendendo legalmente os direitos humanos.

Rachid Nekkaz nasceu na França, mas é filho de pais argelinos e atualmente vive na Argélia - onde se candidatou à presidência em 2013.

Ele já pagou multas em nome de cinco mulheres diferentes desde que a proibição entrou em vigor no mês passado - a primeira cidade a proibir o uso da peça, que cobre o corpo e o rosto das mulheres, foi Cannes, mas pelo menos 26 municípios já adotaram regulações semelhantes.

A proibição provocou um intenso debate no país: defensores da proibição afirmam que a norma visa proteger mulheres que poderiam sofrer preconceito por serem visivelmente muçulmanas. Já críticos das leis dizem que a medida tira o direito de uma mulher se vestir como quer.

Impedir as mulheres de usarem burkinis em público é "contra a democracia e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, sob todas as formas", afirma Nekkaz. "É deplorável".

Ele conta ainda que vê sua iniciativa de pagar as multas como uma forma de "neutralizar a lei", mas seguir respeitando as regras.

"Eu quero 'desdramatizar' a situação", disse ele. "Não há escolha que não seja pagar essas multas. Mas essas mulheres estão sofrendo, e o espírito francês de vivre ensemble [conceito de viver harmoniosamente] também sofre".

Ele contou ao Huff que chegou a solicitar que os prefeitos das 26 cidades que proibiram a peça de roupa mandem as multas diretamente para ele, para que ele possa então pagar todas.

"Eu contatei todos os departamentos de polícia e para a polícia nacional, mas ninguém quis me encontrar", contou.

A oito meses das eleições presidenciais, o debate central tanto da direita quanto da esquerda estão em torno de questões de segurança, e também do islamismo. Para o empresário, no entanto, a discussão pode fazer com que os franceses se voltem uns contra os outros. Ele afirma também que os problemas vão além da questão política.

"A polícia francesa tem um problema com as mulheres muçulmanas e com a comunidade muçulmana. Eu acho que o desejo deles é de banir completamente o islã".

Em 2010, Nekkaz destinou 1 milhão de euros para pagar multas destinadas às mulheres que usavam véus, brucas ou niqab em público - os trajes foram proibidos em lugares públicos na França. Desde aquele ano, usar roupas que cubram completamente o rosto é considerado proibido no país.

Até agora, ele já pagou 1.165 multas em países como a França, a Suíça, a Holanda e a Bélgica.

"Eu não sou um muçulmano típico", diz ele, que é contra o uso da burca e do niqab. "Eu só estou defendendo os direitos humanos". Ao jornal britânico Telegraph, ele se comparou ao filósofo Voltaire. "Ainda que eu não concorde, eu vou brigar até a morte para dar, a essas pessoas, a possibilidade de expressarem sua opinião e se vestirem como quiserem. Isso é liberdade. É uma questão de princípios."

De acordo com o Huffington Post, Nakkaz solicitou que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon intervenha para "parar essa guerra legislativa contra as muçulmanas na França".

LEIA MAIS:

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- Estado laico ou islamofóbico? Cannes proíbe uso de 'burkini' em praias

- Alemanha estuda proibição parcial da burca e do niqab

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