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Senadora Ana Amélia Lemos compara Dilma a síndica que não consulta moradores

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ANA AMELIA
Senadora gaúcha defende impeachment de Dilma Rousseff | Waldermir Barreto / Agência Senado
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Uma das principais defensoras do impeachment, a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS) acredita que os brasileiros estão cansados do julgamento e que a presidente afastada, Dilma Rousseff, deve deixar o cargo definitivamente.

Em entrevista ao HuffPost Brasil, a senadora diz acreditar que a petista não é corrupta. Entretanto, Lemos vê graves falhas na gestão dilmista e a compara com uma síndica de prédio que não conversa com os condôminos e cobra taxa extra.

Leia os principais trechos da entrevista:

HuffPost Brasil: Qual a avaliação da senhora sobre a condução do julgamento final do impeachment?

Ana Amélia Lemos: Está transcorrendo dentro da normalidade, incluindo os excessos que ocorreram hoje e ontem no plenário, mas isso é parte do clima de tensão que estamos vivendo, um desgaste emocional, um estresse político, um tensionamento entre as forças que defendem a presidente Dilma e os que acusam a ex-presidente afastada Dilma Rousseff.

É também uma estratégia da defesa de politizar o debate, uma vez que os argumentos jurídicos têm sido deixados de lado?

Evidentemente há uma clara tática da defesa no sentido de procrastinar ao máximo o processo. Retardar à exaustão para com isso tentar trazer a sociedade para dentro do Congresso, mas não está conseguindo. O que nós precisamos é decidir de fato na segunda-feira, a partir da presença dela [Dilma] aqui, definir e votar. A sociedade já está também cansada. Há um processo de exaustão. O Brasil é assim. Começa uma Olimpíada, a gente assiste, mas daqui a pouco a gente tá: "puxa, mais jogo?". Por mais atraente que seja, e olha que estou falando de uma coisa prazerosa, torcer pelo seu atleta, se isso nos dá uma certa exaustão, imagina um processo como este? (...) A Dilma não é corrupta. Não é isso que estamos julgando. Nós estamos julgando aqui a gestão. É como se ela fosse a síndica de um prédio que se chama Brasil e fez uma reforma enorme, gastou um monte de dinheiro sem fazer uma assembléia dos condôminos e aí faltou dinheiro para pagar a luz do condomínio e começou a gritaria no prédio dos condôminos que não foram consultados e depois recebem uma taxa extra no fim do mês porque o síndico fez aquela grande reforma.

Por outro lado tem gente questionando se o presidente em exercício, Michel Temer, vai ter legitimidade para ficar até o fim do mandato...

Ele é o vice-presidente da República. No impedimento da titular, quem assume é o vice. Então essa questão da legitimidade é conferida pela Constituição brasileira. O Temer tem os votos que teve a Dilma.

Há uma expectativa de que no discurso de segunda-feira, a presidente afastada cite as delações que mostram tentativas do PMDB em interferir na Lava Jato...

Mas alguém vai relembrar as delações do senhor João Santana, da dona Monica, do Marcelo Odebrecht [que comprometem campanha de Dilma].

Não vira o jogo então?

Essa moeda tem duas faces. A face contra ela é maior. O que diz o João Santana é dinheiro de caixa dois no exterior, repetindo o que foi feito com o Duda Mendonça em 2004.

Mas esse dinheiro também não teria financiado a campanha de Michel Temer?

São duas contas separadas: a dela e a dele. São dois CNPJs. Aí se tiver problema, ele vai se explicar na Justiça. Pra mim pau que bate em Chico bate em Francisco. A régua para a Dilma é a mesma para Temer, para o presidente do Supremo, Renan [Calheiros], Rodrigo Maia, para mim, para qualquer um, para o Lula e para a dona Marisa.

Há algum constrangimento de o Senado estar discutindo aumento do Judiciário durante a tramitação da fase final do impeachment?

Não vejo nenhuma relação de contradição. É uma processo [impeachment] que o Supremo tá mandando, e reajustes é nossa obrigação aprovar ou não, examinar. O presidente do Supremo está apenas presidindo.

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