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Problemas de saúde mental de crianças não estão sendo levados a sério

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Crianças no Reino Unido que sofrem de doenças mentais não estão recebendo o tratamento necessário nas unidades do Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês), segundo dados divulgados recentemente.

Informações de 15 centros de saúde mental, obtidas por meio da Lei da Liberdade de Informação e publicadas pela revista médica Pulse, revelaram que seis em cada dez crianças que foram encaminhadas para os serviços de saúde mental por seus clínicos gerais não conseguiram receber tratamento.

Os números mostram que um terço dos casos encaminhados aos Serviços de Saúde Mental para Crianças e Adolescentes (CAMHS, na sigla em inglês) no Reino Unido não é sequer avaliado.

Segundo a revista Pulse, a situação dos jovens com problemas mentais no Reino Unido parece estar piorando, com a porcentagem de encaminhamentos para tratamento caindo de 44% do total em 2013 para 39% em 2015.

“É inaceitável que tantas crianças vulneráveis não estejam recebendo o apoio de que necessitam”, diz Sarah Brennan, presidente da ONG Young Minds, em entrevista ao The Huffington Post UK.

“Sem tratamento, as crianças são mais propensas ao autoflagelo ou a se tornar suicidas, violentas e agressivas com os que estão próximos, ou a abandonar a escola, o que pode arruinar suas perspectivas para o futuro”, disse Brennan.

“Os atrasos também podem ter um efeito desastroso sobre as famílias, com os pais sendo forçados a deixar o emprego para cuidar das crianças”, acrescentou.

Clínicos gerais alegam que as unidades CAMHS em todo o Reino Unido estão se recusando a tratar os pacientes a menos que tenham tentado o suicídio.

crianças

Em artigo publicado pelo jornal The Guardian, Karen Cox, clínica geral da cidade de Bristol, disse:

“Recentemente, todos os encaminhamentos parecem ser recusados. [Os casos] incluem crianças que se autoflagelam, uma criança que estava agredindo fisicamente a mãe e outra que tinha graves pesadelos à noite depois da perda do pai. Todas foram aconselhadas a procurar organizações de caridade locais”.

Brennan, da ONG Young Minds, acrescentou: “O investimento extra do governo é bem-vindo, mas é crucial que seja gasto onde é destinado e não seja desviado para outras prioridades”, afirmou.

“Também sabemos que — como foi admitido pelo chefe do NHS na Inglaterra — os novos recursos não serão suficientes para atender todas as necessidades.”

Um porta-voz do Departamento de Saúde disse à Pulse:

Nenhuma criança que precise de ajuda deve ser recusada. É por isso que introduzimos os primeiros padrões de acesso e tempo de espera em saúde mental e estamos alocando um recorde de 1,4 bilhão de libras esterlinas [cerca de R$ 6 bilhões] para transformar o auxílio aos jovens”.

O porta-voz continuou:

“Este investimento está só começando, portanto fará uma diferença cada vez maior nos próximos anos — cada área no país tem preparado planos sobre como irão trabalhar juntas para garantir que os jovens recebam apoio antes que atinjam um ponto crítico”.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost UK e traduzido do inglês.

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