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'Dilma não é ré, é vítima', diz senadora Vanessa Grazziotin

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VANESSA GRAZZIOTIN
Vanessa Grazziotin defende absolvição de Dilma Rousseff | Waldemir Barreto/ Agência Senado
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Na reta final do julgamento do impeachment de Dilma Rousseff, aliados da petistas se esforçam para virar o jogo que parece ganho para os que defendem que o presidente em exercício, Michel Temer, seja efetivado no cargo. Em entrevista ao HuffPost Brasil, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) disse apostar na população para reverter o cenário.

Defensora da ideia de que há um golpe parlamentar em curso no País, Grazziotin acredita que a sociedade está conseguindo identificar aqueles que estão viabilizando a ruptura democrática. Para ela, isso pode trazer uma mudança no voto dos parlamentares indecisos que não querem estar associados a essa ideia.

A senadora não esperava que o impeachment chegaria a este ponto — “infelizmente o tempo foi mostrando que eles [oposição] estavam muito unidos em torno do objetivo”. Segundo ela, Dilma chega ao Senado como vítima e não como ré, como foi notificada.

Se efetivado o impeachmet, a senadora acredita que começa "o suplício do Brasil".

Leia os principais trechos da entrevista:

HuffPost Brasil: A senhora imaginou que chegaria a este ponto?

Vanessa Grazziotin: Imaginava que a gente ia barrar antes [o impeachment]. Imaginei que a gente ia conseguir estancar o processo, mas infelizmente o tempo foi mostrando que eles estavam muito unidos em torno do objetivo.

O que deu errado?

Acho que agora estamos fazendo tudo que pode para ver o que conseguimos mudar. Estamos muito esperançosos, com o passar do tempo. Estamos conseguindo mostrar que eles não vão poder se esconder da sociedade, não vão conseguir deixar de ser identificados como os que viabilizaram o golpe parlamentar no País. Isso pode trazer uma mudança importante.

Um das apostas é o discurso de segunda-feira da presidente afastada. O que pode ter de novidade?

Acho que ela vai dar um show falando a verdade, falando do coração, do seu conhecimento. Ela foi notificada como ré, ela não é ré, ela é vítima, por isso eles não querem que ela venha.

Ela deveria vindo antes?

Na minha opinião, eu se fosse ela, teria vindo. Mas não acho que foi errado ela não ter vindo. Ela pensou exatamente nisso: agora vou falar para 21, lá no Plenário serão 81. Ia falar para 21 em uma decisão que posteriormente será de 81.

A senhora acredita que os bate-bocas e as manobras no Senado podem fragilizar o processo?

Tudo que acontece vai agregar uma decisão final. Creio que a postura dos aliados de Temer está mais nos ajudando, com destempero, sendo agressivos. Não pode chegar e xingar as pessoas. Aí argumentam que a senadora Gleisi Hoffmann generalizou, mas nem por isso podem reagir com ataques. Acho que ela se inclui quando diz que boa parte dos senadores não tem moral. Veja a condição do Brasil. É de conhecimento de todos, estamos em um País hoje onde quase nenhum parlamentar escapou de estar presente em uma lista, os partidos estão lá dizendo que receberam caixa dois e a presidente está sendo tirada por ter editado três decretos, por ter mantido o Plano Safra? Seria crime se ela não tivesse deixado aplicar um plano que a lei manda aplicar. Eles estão fugindo do debate.

Os dilmistas apostavam no apoio popular para pressionar os parlamentares, mas as manifestações foram murchando, por quê?

Acho que a população está meio decepcionada com ela própria. Aquele monte de gente que foi para a rua, foi para a rua dizendo "eu não queria Dilma", mas também não disse que queria Temer. Aí a população está vendo que o resultado é isso que estamos vivendo. Estão todos muito decepcionados.

E se o impeachment for confirmado?

Aí vai começar o suplício do Brasil.

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