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Dilma enfrenta 81 senadores em discurso final contra impeachment

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DILMA ROUSSEFF
Dilma irá ao Senado para se defender | Ueslei Marcelino / Reuters
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Longe do Palácio do Planalto desde 13 de abril, a presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), vai ao Congresso nesta segunda-feira (29) se defender no julgamento final do impeachment. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, responsável por torná-la candidata à Presidência da República, também estará presente na reta final.

No comando do País desde 2011, a petista pisa o Senado como ré pela primeira vez. Sem tapete vermelho, não entrará pela rampa do Congresso, mas pela chapelaria.

Com pouca esperança de virar o jogo e impedir a saída definitiva da petista, defensores de Dilma trabalham para senadores pró-impeachment pegarem leve com ela na sessão.

Advogado de Dilma, José Eduardo Cardozo tem pedido a senadores conhecidos pelo tom mais agressivo, como Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Magno Malta (PR-ES) para se conterem no enfrentamento à Dilma.

No discurso, Dilma vai reforçar que é vítima de um golpe contra a democracia, assim como foi na ditadura militar. De 1970 a 1972, a petista foi torturada nos porões da Operação Bandeirantes (Oban) e do Departamento de Ordem Política e Social (Dops). A presidente costuma se emocionar quando se recorda desse período.

Dilma irá mencionar também que o processo de impeachment foi criado de maneira artificial para tirá-la do cargo após "vingança" e "chantagem" do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Os petistas avaliaram o risco de Lula ser alvo de críticas em plenário e decidiram que seria favorável a presença do ex-presidente.

"O que tinha de prejudicar em termos de acusação e indiciamento, isso já aconteceu. O que nós estamos vendo é uma perseguição sem precedentes ao presidente Lula", afirmou a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR).

Lula estará acompanhado de 22 ex-ministros, entre eles o ex-titular da Casa Civil Aloizio Mercadante, além de ex-auxiliares, como o ex-assessor especial Giles Azevedo, dois braços-direitos nos dois mandatos de Dilma.

O ex-presidente foi indiciado na última sexta-feira (26) no inquérito que investiga o tríplex do Condomínio Solaris, no Guarujá, litoral paulista. Ele é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

São necessários 28 votos para que a petista volte a comandar o País, mas na votação da pronúncia, fase intermediária do processo, ela obteve apenas 21. A expectativa é que a votação aconteça na madrugada de terça-feira (30) para quarta-feira (31).

A presidente afastada é acusada de crime de responsabilidade pela edição de decretos sem autorização do Congresso e pelas pedaladas fiscais — atrasos de repasses do Tesouro Nacional para o Banco do Brasil no Plano Safra.

Na avaliação do vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC), é evidente que não houve crime. "Como teria crime se não tem cúmplice?", questiona.

Segundo ele, houve uma "arquitetura tecnocrata" no Tribunal de Contas da União (TCU) e o partido vai fazer representações no Supremo Tribunal Federal contra a "manobra".

"O jogo está decidido, é um jogo de cartas marcadas? Não. Seis senadores podem mudar o curso dessa história e fazer com que a democracia não fique fragilizada, não crie esse precedente perigoso e acho sinceramente que o Senado, caso efetive o golpe, pode estar escrevendo um capítulo triste da nossa História."

Antes de judicializar o processo, a defesa tenta emplacar um fatiamento das acusações. Uma hipótese seria uma votação sobre o crime de responsabilidade e outra sobre os direitos políticos de Dilma.

Outra opção seria separar a análise dos três decretos suplementares assinados pela petista e dos atrasos de repasses no Plano Safra.

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