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'Era pelo conjunto da obra que militantes políticos eram torturados' diz Cardozo em defesa final de Dilma

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JOSEEDUARDOCARDOZO
Geraldo Magela/Agência Senado
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Responsável por defender a presidente afasta, Dilma Rousseff, José Eduardo Cardozo afirmou na defesa final do impeachment que a petista está no banco dos réus injustamente pela segunda vez.

O advogado lembrou os três anos em que Dilma foi torturada durante a ditadura militar.

"É possível que na época, seus acusadores, numa crise de sentimentalismo tenham dito 'menina, estamos te prendendo pelo bem do país. Estamos aniquilando com a sua vida, mas estamos pensando em você. Estamos te destruindo e te arrasando, mas estamos pensando no seu bem'."

Em uma comparação com o julgamento atual, Cardozo destacou que durante o regime de exceção não havia acusação formal contra Dilma. "Era pelo conjunto da obra que os militantes políticos eram presos, assassinados e torturados", afirmou.

Cardozo sustentou que o processo de impeachment "começa exatamente no minuto seguinte que Dilma ganha as eleições de 2014", com 54 milhões de votos. Ele citou acusações para deslegitimar o resultado das urnas, como fraude eleitoral e compra de votos.

O advogado lembrou também da articulação de políticos pelo afastamento a partir daquele momento. Ele chamou de vingança o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ter acatado a denúncia e lembrou de gravações em que o ex-ministro do presidente em em exercício, Michel Temer, Romero Jucá, fala em "estancar essa sangria", em referência as investigações da Lava Jato.

"Ela nunca tolerou nenhum ato de corrupção ou a suspeita. Nunca. Bastava Dilma cheira algum equívoco (se dirige aos ex-ministros da petista) que ia na jugular.", afirmou.

"Me permitam dizer, com toda a franqueza e com toda a sinceridade, vejo aqui, no plenário do Senado, ex-ministros da Senhora Presidente Dilma Rousseff – alguns que permanecem leais a ela, outros que acham que devem migrar para outro caminho, e eu falo como ex-ministro dela –, algum dos senhores algum dia recebeu alguma proposta, alguma determinação, alguma orientação de Dilma Rousseff para que infringisse a lei, para que desrespeitasse a Constituição ou para que desviasse dinheiro público? Permitam-me responder pelos senhores – não! E sabem por quê? Porque ela não faz isso."

Cardozo sustentou que não são justa as acusações feitas por parlamentares à petista e que. "Querem condenar, condenem, mas não enxovalhem a honra de uma mulher digna."

O ex-ministro de Dilma disse ainda que a presidente afastada foi alvo de críticas misóginas no meio político, onde lhe atribuíam um perfil autoritário. "É difícil não perceber o tanto que vocês (mulheres) são discriminadas", afirmou. "Mulheres quando são corretas, íntegras e sabem enfrentar situações da vida como essa são duras. Mulheres quando se equiparam nas suas disputas aos homens são autoritárias", completou, em referência às críticas feitas à presidente afastada.

Após o discurso, Cardozo chorou ao dar entrevista a jornalistas e criticou a advogada de acusação, Janaina Paschoal, por citar os netos de Dilma ao falar no plenário. “Eu acho inadmissível alguém pedir a condenação e dizer que o faz pelos netos dessa pessoa”, afirmou.

Mais cedo, a jurista e uma das autoras do pedido de impeachment, rebateu os pontos da defesa da petista.

Acusação e defesa têm 1h30 para se manifestar, seguidas de mais 1h para cada lado, sendo que ambos os lados podem abrir mão desse segundo tempo, caso desejem. Em seguida, cada um dos 65 senadores inscritos poderá falar por 10 minutos.

No início da sessão desta terça-feira (30), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski afirmou que pretende encerrar os debates ainda hoje, mesmo que entre a madrugada, e realizar a votação amanhã, quarta-feira, pela manhã.

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