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Número dois de Janot é exonerada após participar de protesto contra Temer

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ELA WIECKO
Ela Wiecko participou de ato contra 'golpe' | Carlos Humberto / STF
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A vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko, foi exonerada do cargo nesta terça-feira (30), após a divulgação de um vídeo em que aparece em uma manifestação contra o impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff.

Nas imagens exibidas pela TVT, a TV dos Trabalhadores, ligada à Centra Única dos Trabalhadores (CUT), a procuradora aparece usando óculos escuros com uma faixa escrito "Fora, Temer. Contra o golpe".

O episódio foi revelado pela Veja.com, a quem Ela Wiecko disse não ver problemas em participar da manifestação e que era alvo de um "patrulhamento".

“Estava de férias, em um curso como estudante. Não posso pensar nada? Não posso ter liberdade de manifestação? Isso é um pouco exagerado. Fui discreta, estava junto, e não tive protagonismo maior”, afirmou.

Questionada sobre o processo de afastamento da petista, a procuradora disse que "do ponto de vista político, é um golpe, é um golpe bem feito, dentro daquelas regras. Isso a gente vê todo dia, é parte da política”.

A jurista disse ainda não se sentir confortável com a gestão interina de Michel Temer, opinião compartilhada por outros membros do Ministério Público, de acordo com ela. "Estou incomodada com essas coisas que estão acontecendo no Brasil. Não me agrada ter o Temer como presidente. Ele não está sendo delatado? Eu sei que está."

As imagens do protesto foram registradas durante uma viagem a Portugal e na companhia do acadêmico Boaventura de Sousa Santos, professor da Universidade de Coimbra, de acordo com a Veja.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, recebeu o pedido de exoneração hoje, que será publicado no Diário Oficial. Como ela é funcionária de carreira, será realocada para outra função.

Número dois da PGR desde 2013, a procuradora foi escolhida para o posto por Janot e já integrou a lista tríplice de candidatos ao posto máximo do Ministério Público. Atualmente, conduz a “Operação Acrônimo”, cujo principal alvo é o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, do PT.

Funcionária concursada do Ministério Público Federal desde 1975, Ela Wiecko construiu uma trajetória de luta pelos direitos humanos.

Na PGR, foi coordenadora de Defesa dos Direitos Humanos, da Câmara da Criança, adolescente, idosos e outras minorias e exerceu a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão por dois mandatos, de 2004 a 2008. Entre 1997 a 1999, presidiu o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Doutora em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina, leciona atualmente na Universidade de Brasília (UnB) nas disciplinas da área penal e de direitos humanos.

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