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Janaina Paschoal chora, pede desculpas a Dilma e cita Deus em julgamento final de impeachment

Publicado: Atualizado:
JANAINA PASCHOAL
Geraldo Magela/Agência Senado
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Uma das autoras do pedido de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, a jurista Janaina Paschoal usou o tempo da acusação para rebater pontos da defesa da petista.

Ao final de sua fala, a advogada pediu desculpas à petista pelo "sofrimento causado" e se emocionou.

Golpe à democracia

Em oposição ao discurso de que o impeachment é uma ruptura com a democracia, Paschoal disse que prefere "falar em República a utilizar o termo democracia. Não porque a democracia não seja importante – obviamente que é –, mas porque o termo democracia muitas vezes é interpretado de formas diferentes; república não. Res publica, aquilo que é de todos, aquilo que é do povo", afirmou.

Deus

A jurista disse também que não houve qualquer "composição" política para arquitetar o impeachment. E citou Deus na condução do processo. "Foi Deus que fez com que várias pessoas percebessem o que estava acontecendo com o nosso país e criassem coragem para se levantarem e fazerem alguma coisa a respeito", afirmou.

Misoginia

Pachoal admitiu que sente por Dilma ser a primeira presidente mulher do país e deixar o poder dessa forma, mas disse que "ninguém pode ser perseguido por ser mulher, entretanto, ninguém pode ser protegido por ser mulher". "Fosse a presidente um homem, eu pediria o impedimento", completou.

Eduardo Cunha

A jurista negou que haja desvio de finalidade no fato de o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ter acatado o pedido de afastamento.

De acordo com Paschoal, a defesa se contradiz ao negar a legitimidade do peemedebista, mas afirmar que a denúncia deve se restringir aos pontos admitidos por ele.

Ela também disse que o Legislativo tem "o direito e o dever de analisar a denúncia na íntegra".

Pedaladas

Sobre um dos fundamentos técnicos da acusação, as pedaladas fiscais, a advogada afirmou que a defesa "mente muito bem". "Não tenho como chegar aqui e me curvar às vontades totalitárias da defesa."

No entendimento da jurista, a perícia do Senado que isentou Dilma da responsabilidade no caso dos atrasos de repasses no Plano Safra. "O que se queria? Um email da presidente? Um ofício dizendo 'não contabilizem'?", ironizou.

O documento considerou Dilma responsável pela edição dos decretos suplementares sem autorização do Congresso, outra acusação que serviu de base para o pedido de afastamento.

Acusação e defesa têm 1h30 para se manifestar, seguidas de mais 1h para cada lado, sendo que ambos os lados podem abrir mão desse segundo tempo, caso desejem. Em seguida, cada um dos 65 senadores inscritos poderá falar por 10 minutos.

No início da sessão desta terça-feira (30), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski afirmou que pretende encerrar os debates ainda hoje, mesmo que entre a madrugada, e realizar a votação amanhã, quarta-feira, pela manhã.

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