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Lula em Brasília: A última esperança de Dilma para reverter impeachment

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DILMA E LULA
Dilma e Lula: Articulação acirrada nos instantes finais do julgamento | Ricardo Stuckert/Instituto Lula
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Enquanto os holofotes se voltavam para as 14 horas em que a presidente afastada Dilma Rousseff (PT) se dedicava a se defender e responder aos senadores, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva atuava nos bastidores para reverter o cenário que até então parecia dominado pelo presidente em exercício, Michel Temer (PMDB).

A terça-feira (30) começa com outro quadro. O jogo que parecia ganho para o PMDB não está definido, garantem os petistas. A presença do músico Chico Buarque na galeria do Senado, ao lado de Lula, foi apenas um dos reforços dos aliados de Dilma.

Na reta final do julgamento do impeachment, o PT escalou seu melhor artilheiro para fazer a diferença no placar.

A estratégia do partido incluiu deixar senadores mais combativos, como Lindbergh Farias (PT-RJ) no plenário, cuidando de discursos, e aqueles com maior trânsito entre opositores, como a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), atuando nos bastidores. Tudo arquitetado e sob comando do ex-presidente Lula.

Aliados de Dilma não escondiam na segunda-feira (29) que havia um grande esforço para reverter votos. Ex-ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PCdoB) disparou: “Lula não veio até aqui para ficar mudo”.

O partido, que dizia ter pelo menos 20 votos garantidos, tem suado para conseguir o voto de mais oito senadores, ao menos, e evitar que a petista seja afastada definitivamente.

A mira dos petistas incluía os 14 senadores que se diziam indecisos e aqueles com mais afinidade com os aliados de Dilma.

No início da noite, a contabilidade otimista do partido dava conta de ter conseguido pelo menos seis posições favoráveis: os três da bancada do Maranhão, o do senador Otto Alencar (PSD-BA), o do senador Wellington Fagundes (PR-MT) - que está com diverticulite - e (re)conquistado a abstenção do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Lula ainda trabalhava para reverter a posição dos senadores Jader Barbalho (PMDB-PA), Fernando Collor (PTC-AL), que esteve com Dilma no domingo e aceitou conversar com o petista, e de integrantes do PR. Ele teria conversado com o ex-deputado Valdemar Costa Neto, que já presidiu o PR e foi preso pelo esquema do mensalão, na expectativa de obter os votos da legenda.

Outro senador assediado pelos dilmistas é Acir Gurgacz (PDT-RO). Senadores da tropa de choque de Dilma, como Kátia Abreu e Roberto Requião (PMDB-PR), também insistiram com o pedetista.

Em troca, os aliados de Dilma estão oferecendo maior participação no governo, como espaço em ministérios e estatais. Eles argumentam ainda que o governo Temer não tem mais o que oferecer, que tudo já foi “dividido” e não há mais espaço.

Apesar do otimismo, os votos não estão 100% fechados. “Se fechar seis, fecha 12. Os senadores precisam ter muita certeza de que o outro também vai fazer a mesma escolha. Eles só votam em bloco”, disse ao HuffPost Brasil um senador petista que integra as negociações.

Na segunda-feira, a dúvida em torno do voto do senador Telmário Mota (PDT-RR) também foi esclarecida. Ele vota contra o impeachment de Dilma. Já o do senador Hélio José (PMDB-DF), que insinuou estar ao lado da petista ao interpelá-la, foi confirmado como favorável ao impeachment.

PMDB

A postura dúbia de Hélio José deu força para o PMDB minimizar o otimismo dos petistas. O senador teria almoçado com o Renan e garantido voto com o partido.

A legenda do presidente interino também não acredita que a bancada do Maranhão aposte na vitória da petista. O senador Edison Lobão (PMDB-MA) teria assegurado a Renan e Temer que não há chances de mudar de posição. Aliados de Dilma, entretanto, dizem que ele se encontrou com o ex-presidente Lula e vai votar com os petistas.

A previsão é que os senadores iniciem a votação que vai definir o futuro de Dilma e Temer ainda no fim desta terça-feira (30).

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