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Acordo entre PT e PMDB para preservar direitos políticos de Dilma pode beneficiar Cunha

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CUNHA DILMA
Cunha pode ser beneficiado por acordo que ajudou Dilma | Montagem / AGPT / Agência Brasil
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Ao permitir que Dilma Rousseff ocupe cargos públicos, apesar de o impeachment da petista ter sido aprovado, o Senado abriu um precedente para anistiar o deputado afastado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

De acordo com o entendimento do Senado, Dilma perdeu o mandato de presidente, mas poderá assumir cargos públicos, como a presidência de uma estatal, e concorrer a eleições. A ideia de aliados de Cunha é aplicar a mesma lógica para o peemedebista.

Um dos defensores do deputado afastado, deputado Beto Mansur (PRB-SP), presente na sessão do Senado, defendeu esse entendimento. A votação da cassação do mandato de Cunha foi marcada na Câmara para 12 de setembro.

Antes da votação do impeachment, senadores do PT e PMDB falaram nos bastidores que o alívio para a petista seria uma forma de "amenizar a traição".

De acordo com o líder do DEM nos Senado, Ronaldo Caiado (GO), a antiga oposição entrará com uma ação no Supremo Tribunal Federal contra o fatiamento da votação. Ele disse ainda que há risco de racha na base do presidente Michel Temer. "A minha desconfiança é enorme. Acreditar que isso [apoio da base] vai dar certo com um acordão como esse de hoje é complicado", afirmou.

Líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), a brecha para Dilma tem consequências direta no julgamento de Cunha.

"Surpreendente que na mesma sessão que votamos o impeachment, honramos e rasgamos a Constituição. Não precisa ser jurista para perceber que está errado, que a votação do impeachment implica a perda de direitos políticos. Poderá ter repercussão na relação com o governo. Sequer fomos avisados de que havia esse entendimento."

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG) também criticou o fatiamento e demonstrou preocupações com a relação do partido com Temer. "Lideranças expressivas do PMDB se manifestarem dessa forma e nos deixam enormes preocupações", disse.

Senadores do PMDB favoráveis ao impeachment, como Edison Lobão (MA), Eduardo Braga (AM), Raimundo Lira (PB) e o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL) votaram a favor de Dilma poder ocupar cargos públicos.

O advogado de defesa de Dilma, José Eduardo Cardozo, negou acordo do PT com o PMDB. "Quem fez acordo com Cunha foi a oposição. PSDB apoiou Cunha para a presidência da Câmara, apoiou na abertura do processo de impeachment. Evidente que esse argumento de acordo é completamente inconsistente", disse.

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