Huffpost Brazil

Dilma Rousseff: 'Condenaram uma inocente e consumaram um golpe parlamentar'

Publicado: Atualizado:
DILMA ROUSSEFF
EVARISTO SA via Getty Images
Imprimir

A ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff prometeu luta. Após a confirmação do seu afastamento definitivo, Dilma disparou: "O golpe é contra o povo e contra a nação, o golpe é misógino, homofóbico e racista. Imposição da cultura da intolerância, do preconceito e da violência."

Para ela, os senadores tomaram uma decisão que entra para a história das grandes injustiças. "Os senadores que votaram pelo impeachment escolheram rasgar a Constituição. Condenaram uma inocente e consumaram um golpe parlamentar.”

A ex-presidente recorreu a sua biografia para dizer que este é o segundo golpe militar que ela enfrenta. “Um golpe parlamentar, disfarçado por uma farsa jurídica me derruba do cargo pelo qual eu fui eleita pelo povo.” O ato, segundo ela, foi conservador, reacionário e contou com apoio “de uma imprensa falaciosa”.

“Acabam de derrubar a primeira mulher eleita presidenta do Brasil, sem que haja qualquer justificativa constitucional.(…) O golpe va atingir indistintamente qualquer organização politica progressista e democrática. O golpe é contra o povo e contra a nação, o golpe é misógino, homofóbico e racista. Imposição da cultura da intolerância, do preconceito e da violência.”

Descrença e mágoa: péssimos conselheiros

Apesar do tom de embate, Dilma minimizou a ira:

“A descrença e a mágoa que nos atingem em momentos como esses são péssimas conselheiras. Não desistam da luta. Eles pensam que nos venceram, mas estão enganados. Todos nós vamos lutar. Haverá contra eles a mais firme e enérgica oposição que um governo golpista pode sofrer.

Proponho que lutemos todos juntos contra o retrocesso, contra a agenda conservadora, pela soberania nacional. Saio da presidência como entrei, sem ter incorrido em qualquer ato ilícito.

As futuras gerações de brasileiros saberão que a primeira vez que uma mulher assumiu a presidência, o machismo e a misoginia mostraram sua face."

Dilma encerrou o discurso com o trecho de um poema de Vladimir Maiakóvski:

"Não estamos alegres, é certo, mas também por que razão haveríamos de ficar tristes? O mar da história é agitado. As ameaças e as guerras havemos de atravessá-las, rompê-las ao meio, cortando-as como uma quilha corta as ondas.”

Próximos passos

Após o discurso, a ex-presidente recebe senadores do PT e aliados no Palácio da Alvorada. A pauta é o resultado do impeachment e suas consequências. A previsão é que a petista deixe a Capital federal ainda nesta semana. Nesta quarta-feira (31), o advogado José Eduardo Cardozo entrará com uma ação no Supremo Tribunal Federal questionando a legalidade do processo.

LEIA TAMBÉM:

- Senado aprova impeachment por 61 votos a 20, e Dilma Rousseff não é mais presidente do Brasil

- Após impeachment, senadores decidem manter direitos políticos de Dilma Rousseff

- Michel Temer: De 'vice decorativo' a 43º presidente do Brasil

Mais no HuffPost Brasil:

Close
Impeachment na Imprensa Internacional
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção