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De malas prontas para Porto Alegre, Dilma é julgada nesta quarta-feira (31) pelo Senado

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DILMA ROUSSEFF
Dilma está de malas prontas para Porto Alegre | Ueslei Marcelino / Reuters
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Nem as diversas conversas que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve com senadores mais ligados a ele ou as intensas negociações, comandadas por senadores como Kátia Abreu (PMDB-TO), foram capazes de mudar o clima pró-impeachment que ronda o Senado Federal. Em meio a este cenário, os 81 senadores decidem nesta quarta-feira (31) o futuro da presidente afastada Dilma Rousseff e, consequentemente, o do presidente em exercício, Michel Temer.

A expectativa é que a maioria, formada por mais de dois terços dos senadores, afaste definitivamente a petista e oficialize Temer no comando do País. Ainda nesta semana, Dilma deverá abrir mão dos 30 dias que tem para deixar o Palácio da Alvorada e deixará a capital federal rumo a Porto Alegre.

As últimas 12 horas de discursos iniciados na terça-feira (30) sintetizaram os três meses de tramitação do processo no Senado. Senadores governistas ressaltaram o crítico cenário econômico, erros de governo de Dilma e as pedaladas fiscais para justificar o voto.

“O impeachment é consequência da gastança irresponsável, com uma profunda crise econômica, desemprego, inflação alta, juro estratosférico, corrupção como nunca antes na história deste País, quebra da Petrobras, dos fundos de pensão das estatais, porque os governos Lula e Dilma não tinham um projeto de País, mas um projeto de poder”, argumentou a senadora Ana Amélia (PP-RS).

Os dilmistas insistiram na tese de golpe e vingança do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

“Isto aqui é um tribunal de exceção, no qual as provas são absolutamente irrelevantes. Este tribunal foi montado para condenar uma inocente e para tentar salvar culpados de corrupção. Não é Dilma que tem contas na Suíça. Até o seu mais ferrenho opositor reconhece que a senhora é uma mulher honesta. São os seus algozes que temem o braço da Justiça e as investigações”, discursou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

Articulação

Enquanto o plenário do Senado não parava, Dilma e Temer usavam suas armas para tentar a permanência no comando do País. Ministérios, estatais e mais espaço no governo foram negociados com os indecisos e os que ainda podiam voltar atrás.

Os dilmistas trabalharam para mudar os votos em bloco. Acreditam que se três mudarem de posição, viram seis votos.

Dilma se tornou ré no Senado com os votos de 59 senadores. São necessários 54 para que ela seja definitivamente afastada do governo. O otimismo que rondava o Senado na segunda-feira (30) já não era o mesmo na terça-feira (31). “A gente diz que vai virar o jogo, mas sabemos o quão difícil é”, admitiu um senador, ex-líder do PT.

Uma das pancadas que o PT levou foi a notícia de que foi prometida ao senador Roberto Rocha (PSB-MA) uma diretoria no Banco do Nordeste pelo voto favorável ao impeachment. Com os petistas, ele tinha negociado o comando de um ministério pelo voto contra o afastamento definitivo da petista.

Entre os aliados de Temer, o placar da vitória também caiu, mas segue otimista. Líder do PMDB, o senador Eunício Oliveira (CE), que costumava falar em 60, 63 votos, evitou dar números, mas manteve o tom de “já ganhamos”.

Se confirmado, o presidente em exercício se oficializa no posto. A posse está prevista para a tarde desta quarta-feira (31). Ele também planeja para a tarde uma rápida reunião ministerial. A expectativa do peemedebista é viajar no início da noite para a reunião do G-20, na China.

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