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Michel Temer: De 'vice decorativo' a 43º presidente do Brasil

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MICHEL TEMER
Michel Temer é o 43º presidente do Brasil | Reprodução/Facebook
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Após 111 dias interinamente no comando do País, o peemedebista Michel Temer se torna nesta quarta-feira (31) o 43º presidente do Brasil. Temer assume a chefia do Executivo em meio a uma forte crise econômica, com déficit de R$ 30,5 bilhões no orçamento deste ano, taxa de desemprego em 11,6%, instabilidade social, mas com aceno positivo do Legislativo.

A aposta dele é justamente no Congresso para ajudá-lo a governar. Apoio que a ex-presidente Dilma Rousseff não soube costurar nos últimos meses em que esteve no Palácio do Planalto.

Governo repaginado

Nos primeiros meses de governo interino, Temer anunciou medidas impopulares, como reformas na previdência e na legislação trabalhistas. Ambas precisam de respaldo dos parlamentares para seguir adiante. Neste mesmo período, ele enviou ao Congresso uma proposta que impõe um teto nos gastos públicos.

Desde que assumiu provisoriamente o comando do País, Temer trabalhou para dar uma nova cara ao governo. Com o fantasma da alta de impostos e de novas privatizações, cortou o número de ministérios, manteve uma agenda intensa de evento, como cerimônias e lançamentos de programas, e anunciou mudanças em programas sociais que eram conhecidos como bandeiras do governo petista.

Em todo o período que o impeachment tramitou, principalmente nos últimos três meses, em que o processo esteve no Senado, Temer manteve contato direto com deputados e senadores. Articulou pessoalmente votos e espaço no governo. Até o último instante antes da votação, ele manteve controle da base e uma programação intensa para o primeiro dia como presidente efetivo.

Temer planejou reunião ministerial, discurso à população e o roteiro de uma viagem de 30 horas à China, onde representará o Brasil no G-20.

Novos ares

O novo presidente do Brasil vislumbrou a possibilidade de mudar o status no Palácio do Planalto com a abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff em dezembro do ano passado, feita pelo correligionário então presidente da Câmara dos Deputados, o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A proximidade entre Temer e Cunha foi ressaltada pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR) em áudio gravado pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, alvo da operação Lava Jato. No diálogo, o senador diz que “Michel é Eduardo Cunha”.

Até a abertura do processo, Temer se dizia contra o impeachment, dizia que era uma “ruptura impensável”. Em abril deste ano, poucos dias antes da Câmara aprovar o impedimento da petista, o peemedebista já havia mudado o discurso.

"Michel Temer foi escolhido para ser meu vice-presidente por que supúnhamos que ele era integrante desse centro democrático, progressista, transformador. Nós acreditávamos que ele representava o que havia de melhor no PMDB. Eu não sei dizer quando isso começou a mudar, mas o certo é que começou a mudar”, disse Dilma, na última segunda-feira (29), no plenário do Senado.

A relação sempre formal com Dilma piora quando Temer deixa a articulação política do governo e a petista tira o peemedebista Moreira Franco do cargo de ministro da Secretaria de Aviação Civil. As rusgas ficam claras em carta endereçada à Dilma, em dezembro do ano passado, na qual Temer diz que era um "vice decorativo" e que “perdeu todo protagonismo político”.

Vida pública

A maior habilidade de Temer sempre foi exposta nos corredores do Congresso Nacional. Foi apoiado nesta qualidade que ele foi escolhido vice de Dilma pelo PMDB. Temer foi deputado por seis mandatos, presidente da Câmara dos Deputados três vezes e, em 2009, apontado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) como parlamentar mais influente do Congresso Nacional.

Considerado um dos maiores constitucionalistas do País, Temer iniciou a carreira política em 1984, quando foi nomeado secretário de Segurança Pública de São Paulo. Na SSP, Temer foi responsável pela criação da primeira Delegacia da Mulher no Brasil, além de instituir as delegacias de Proteção aos Direitos Autoraise a de Apuração de Crimes Raciais.

Em 1986, fez parte da Assembleia Nacional Constituinte, que escrevei a Carta Magna. Entre seus projetos aprovados como deputados estão o de combate ao crime organizado, a criação de juizados especiais e o do Código de Defesa do Consumidor.

No comando do País, Temer planeja reformas estruturantes para os próximos dois anos. Apesar de mirar no futuro, o peemedebista garante que estará longe da disputa em 2018.

"Não cogito disputar a reeleição. Todos meus esforços, e de meu governo, estão voltados exclusivamente para garantir que o Brasil retome a rota do crescimento e seja pacificado”, se adiantou em explicar, quando a possibilidade foi anunciada.

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