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Um dia aliado, outro inimigo: seis dos nove ex-ministros de Dilma votam a favor do impeachment

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SENADORES
Agência Senado
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O impeachment da presidente Dilma Rousseff foi consumado nesta quarta-feira (30) por 61 votos a favor do afastamento definitivo e 21 votos pela permanência. Além dos aliados e inimigos declarados, Dilma teve como juízes nove senadores que foram ministros nos últimos cinco anos de sua gestão. Nem mesmo entre seus 'braços direitos', a ex-presidente teve vida fácil. Seis dos seus ex-auxiliares votaram pelo impeachment da petista.

Dos nove ex-ministros de Dilma Rousseff, apenas três – Gleisi Hoffmann (PT-PR), Armando Monteiro Neto (PTB-PE) e Kátia Abreu (PMDB-TO) – votaram contra o impeachment e a favor do retorno dela ao Palácio do Planalto.

Durante o processo contra a ex-presidente, Eduardo Cardozo, advogado de Dilma e também ex-ministro, chegou a questionar os ex-ministros sobre a sua consciência como juízes no Senado e se, algum dia, viram ela agirem fora da lei.

"Questiono a todos os ex-ministros que como eu trabalharam com a presidente Dilma Rousseff se algum dia ela, em qualquer situação, pediu, determinou, concordou em fazer algo que fosse de encontro a lei? Ela não enriqueceu, não desviou dinheiro para filha ou fez qualquer coisa deste tipo. Isso é um assassinato de reputação. É indigno o que está sendo feito e vocês sabem".

O discurso de Cardozo não teve efeito nenhum sobre Edison Lobão (PMDB); Marta Suplicy (PMDB); Garibaldi Alves (PMDB); Eduardo Braga (PMDB); Fernando Bezerra (PSB) e Eduardo Lopes (PRB).

Ao longo de todo o processo, o grupo de seis ministros alegou que não se sentia corresponsável pelo governo Dilma ou pela execução do Orçamento Federal - uma das razões pelas quais Dilma sofreu o Impeachment. "O fato de ter participado do governo Dilma só reforça nossa convicção, pois pudemos testemunhar, de perto, seu jeito de governar: o governo de um só, isolado do Parlamento, dos partidos e do seu próprio Ministério”, discursou Eduardo Lopes, ex-ministro da Pesca, na votação que afastou temporariamente a ex-presidente, no dia 10 de agosto.

A senadora e candidata a prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy (PMDB), chegou a afirmar, em entrevista ao HuffPost Brasil, que não tinha "nem dor" e "nem pena" de votar pelo Impeachment de Dilma. Marta foi filiada ao PT por 33 anos e foi ministra da Cultura no primeiro mandato de Dilma. Em 2014, foi uma das líderes do movimento "Volta, Lula" com o argumento de que a ex-presidente não teria mais condições de governar o País.

"Dói nada porque nós não temos mais condições nenhuma de ela ficar. E essa constatação, essa percepção me fazem não ter nenhuma pena, nenhuma dor. Pena dela como pessoa, eu tenho porque ninguém faz o que ela fez de propósito. Apesar que as pedaladas fiscais ela fez.

Traição

Mesmo entre os ex-ministros que não guardam mágoas pessoais contra Dilma, o voto não foi diferente. O senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) foi ministro da Integração Nacional entre 2011 e 2013. Durante o processo, ele alegou que apenas "segue orientação do partido". O Partido Socialista Brasileiro era da base aliada de Dilma até 2013, quando lançou a candidatura de Eduardo Campos à presidência. Neste ano, anunciou que iria em definitivo para a oposição.

Na terça-feira, durante seu discurso final no processo de Impeachment, Coelho afirmou que sua decisão pessoal e a do partido não têm "um pingo de arrependimento". “O governo da presidente Dilma tentava passar a impressão de que o governo seguia a mesma prosperidade de Lula. Esta postura inadequada acabou colocando o Brasil em um quadro de recessão sem precedentes.”

Acusados criminalmente

Do acusado de Caixa 2 à lavagem de dinheiro. Do formador de quadrilha, ao envolvido em corrupção passiva. Não podem faltar os citados na Operação Lava Jato e até ex-presidente da República cassado do cargo por desvio de dinheiro público. Imunes pelo escudo do foro privilegiado e pela lentidão da Justiça brasileira, esse grupo seleto de senadores foi responsável pelo impeachment da presidente da presidente Dilma Rousseff - que não responde a nenhuma acusação criminal.

Dos 81 senadores que apertaram o botão nesta quarta-feira, 24 deles respondiam a algum tipo de acusação judicial ou possuíam envolvimento na Operação Lava Lato. No total, 83% votaram sim (20 senadores).

Patrimônio

O HuffPost Brasil também fez um levantamento sobre o perfil dos senadores que votaram contra e a favor do impeachment do processo. Ao final, 61 senadores votaram sim e 20 optaram pelo não. Quanto maior o patrimônio do senador, mais favorável ele foi ao afastamento da presidente. No outro extremo da conta bancária dos senadores - com orçamento abaixo de R$ 500 mil - a presidente Dilma levou vantagem.

Foi a única faixa em que o governo conseguiu maioria contra a oposição. São oito votos favoráveis à manutenção da presidente no cargo, contra seis que decidiram pelo afastamento da petista. Somente 14 deputados estão nesta faixa de patrimônio - a maioria deles senadores do Nordeste e do Norte do País.

Nas demais faixas patrimoniais, a oposição de Dilma ganhou com ampla margem de votos. De R$ 500 mil a R$ 1 milhão foram 15 votos a favor do processo ante sete contrários ao afastamento. Entre R$ 1 milhão e R$ 100 milhões, está a faixa onde a oposição concentrou a maioria dos votos: 32, contra apenas sete favoráveis à Dilma.

EX-MINISTROS DE DILMA QUE VOTARAM NO SENADO:

Armando Monteiro Neto (PTB-PE)
Foi Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do governo afastado, retornou ao Senado na véspera do julgamento que resultou na suspensão do mandato da petista e votou contra o impeachment. Na última votação, também votou contra.

Edison Lobão (PMDB-MA)
Lobão foi Ministro de Minas e Energia durante todo o primeiro mandato de Dilma, comandou a mesma pasta entre 2008 e 2010, no governo Lula. Votou a favor do impeachment.

Eduardo Braga (PMDB-AM)
Atuou como líder do governo Dilma no Senado entre 2012 e 2014. Depois, comandou o Ministério de Minas e Energia entre janeiro de 2015 e abril de 2016. Eleve votou 'sim' pelo afastamento definitivo de Dilma.

Eduardo Lopes (PRB-RJ)
Em 2014, foi ministro da Pesca entre março e dezembro. Assumiu como suplente do senador licenciado Marcelo Crivella (PRB-RJ), a quem também substituiu no ministério. Em maio, quando ainda estava no exercício do mandato, Crivella votou pelo afastamento de Dilma. Lopes também votou a favor do impeachment.

Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)
Liderou o Ministério da Integração Nacional de janeiro de 2011 a outubro de 2013. Saiu do governo depois que o PSB decidiu lançar Eduardo Campos (que faleceu em agosto de 2014) à Presidência da República. Ele é pai do atual ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, escolhido pelo presidente interino Michel Temer. A favor do impeachment.

Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)
Foi ministro da Previdência Social durante o primeiro mandato de Dilma. Agora, posicionou-se a favor do impeachment.

Gleisi Hoffmann (PT-PR)
Foi Ministra da Casa Civil entre 2011 e 2014. Durante todo o processo, Gleisi se posicionou como uma das principais defensoras de Dilma no Congresso. Votou contra o impeachment.

Kátia Abreu (PMDB-TO)
Ministra da Agricultura e amiga pessoal de Dilma, é uma das principais aliadas da ex-presidente. Votou contra o impeachment.

Marta Suplicy (PMDB-SP)
Enquanto era do PT, Marta foi ministra do Turismo na gestão Lula entre 2007 e 2008. Também comandou a pasta da Cultura entre 2012 e 2014, no governo Dilma. Ela Rompeu com o partido e filiou-se ao PMDB, onde é candidata à prefeitura de São Paulo. Foi a favor do impeachment.

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