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As ideias que você tem de si mesmo estão associadas à sua percepção dos outros

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comparações

Jogar bola com alguém muito mais habilidoso e rápido que você pode te deixar meio pra baixo, mas jogar no time dessa pessoa provavelmente vai melhorar sua autoestima, sugere uma nova pesquisa.

As pessoas automaticamente comparam seu desempenho com o das outras, segundo o estudo, publicado recentemente na revista Neuron.

Quando cooperam com outros, elas percebem a performance dos outros como um reflexo da sua própria performance: um bom parceiro faz com que você se sinta mais confiante em relação às suas habilidades, enquanto um parceiro ruim te faz se sentir incompetente.

Durante uma competição, acontece o oposto: um adversário habilidoso te leva a achar que seu desempenho foi pior.

A região do cérebro responsável por esse fenômeno é a área 9, uma faixa do córtex que se estende sobre o lobo frontal (bem atrás da testa).

A área 9 costuma aparecer em estudos ligados à cognição social, diz o pesquisador Marco Witmann, que faz doutorado em neurociência cognitiva na Universidade de Oxford, na Inglaterra. Portanto, não foi surpreendente descobrir que ela também está envolvida na comparação da sua performance com a dos outros.

O que foi mais surpreendente foi descobrir que o fenômeno tem duas mãos: as comparações que acontecem no seu cérebro alteram não só a avaliação das suas próprias habilidades com base em como você percebe os outros, mas também na avaliação que você faz das habilidades dos outros em relação à sua própria.

“Trata-se de um tipo realmente novo de representação, que pode explicar várias diferenças individuais” entre as pessoas, diz Christian Ruff, neuroeconomista da Universidade de Zurique, Suíça. Ruff não esteve envolvido na pesquisa.

Comparações sociais

No estudo, Wittmann e seus colegas pediram que 24 participantes jogassem jogos de reação rápida dentro de um equipamento de ressonância magnética.

A máquina mediu o fluxo de sangue e indicou que áreas do cérebro estavam mais ou menos ativas a cada momento.

Os participantes tinham a opção de jogar de forma cooperativa ou contra outro jogador. Mas eles também poderiam jogar sozinhos, recebendo um pequeno números de pontos automaticamente.

Depois de cada rodada, a pessoa era informada do seu desempenho sobre a sua performance e a do outro jogador, além de avaliar suas habilidades em comparação com o outro.

Na realidade, o feedback – bem como o outro jogador – eram falsos, e os pesquisadores davam informações variadas sobre o desempenho.

As avaliações permitiam aos pesquisadores medir como a pessoa levou em conta o feedback sobre o outro jogador na hora de se autoavaliar, e vice-versa.

“O efeito é relativamente intuitivo”, disse Wittmann ao Live Science. “Na cooperação, você ajusta a opinião a respeito de si mesmo de acordo com seus colegas. Na competição, ocorre o contrário.”

É intuitivo, mas também complicado, diz Ruff. O estudo ressalta como as opiniões a respeito de si mesmo estão associadas às percepções dos outros, afirma o pesquisador.

“Este estudo ressalta que sinais neurais representando nós mesmo ou outras pessoas são muito mais complexos do que acreditávamos anteriormente. Temos de observar esses sinais de outros ângulos”, diz Ruff ao Live Science. “Temos de levar muito mais em conta o contexto social específico no qual esses sinais são gerados.”

A área 9 do cérebro

Os dados da ressonância magnética revelaram que duas regiões do cérebro estavam especialmente ativas no estudo. A primeira, o córtex cingulado anterior, está bem no centro do cérebro. Mais atividade nessa região foi associada a uma melhor avaliação nos jogos de reação.

Em contraste, a segunda área, a área 9, foi ativada durante a avaliação das outras pessoas. Mais atividade aqui significa uma avaliação mais generosa do outro jogador. A atividade na área 9 também teve relação com outro efeito: as avaliações do próprio jogador e dos outros se influenciavam umas às outras. Quanto mais forte o sinal na área 9, mais forte esse fenômeno.

O resultado pode significar que as pessoas simplesmente têm dificuldade de acompanhar sua performance e também as dos outros, então as estimativas tendem a se confundir, diz Wittmann. Ou talvez o fato de se considerar em cooperação ou como adversário do outro amplifique esse efeito, afirma ele.

Provar relação de causadlidade entre sinais cerebrais e comportamentos é notoriamente difícil apenas como estudos de ressonância magnética, afirma Ruff.

Por este motivo, o próximo passo das pesquisas deveria ser estudar o efeito das lesões na área 9 – o objetivo é identificar se elas têm menor propensão a levar o desempenho dos outros quando avaliando sua própria performance.

Os participantes do estudo foram relativamente precisos e racionais ao fazer suas avaliações, observa Wittmann. De qualquer modo, é interessante ver como as pessoas se avaliam.

“Seria interessante ver, por exemplo, se pacientes deprimidos fazem autoavaliações diferentes”, afirma Wittmann.

Artigo publicado originalmente no Live Science.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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