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Novo ato contra Temer tem truculência da polícia e prisão de 4 manifestantes

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Pelo quinto dia seguido, manifestantes foram às ruas contra Michel Temer em São Paulo e a Polícia Militar usou bombas de gás e balas de borracha para dispersar os grupos.

Na última sexta-feira (2), o ato, que protestava pelos direitos dos negros, especialmente das mulheres negras, e pedia a saída do presidente Michel Temer, começou no Largo da Batata, zona oeste da capital paulista. Depois, a manifestação se dispersou e chegou até a Marginal Pinheiros.

Com faixas e cartazes, o grupo gritava "nem recatada e nem do lar, a mulherada está na rua pra lutar", "fora Temer" e "não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da Polícia Militar".

Pelo menos quatro manifestantes foram detidos. Eles foram levados para o 14º Distrito Policial. Os policiais que fizeram as prisões alegaram dano ao patrimônio público.

Os manifestantes se reuniram às 18h no Largo da Batata. Por volta das 20h, eles ocuparam a Avenida Faria Lima, no sentido Vila Olímpia, e pretendiam seguir até a Praça Benedito Calixto, mas foram impedidos por um cordão da PM, porque, segundo a corporação, o trajeto não havia sido informado previamente. Após cerca de meia hora de negociação entre organizadoras do ato e capitães da polícia militar, o impasse não se resolveu.

Os policiais queriam, a princípio, que os manifestantes voltassem para o Largo da Batata e, depois, alegaram que só poderiam liberar a passeata após as 21h.

Os manifestantes começaram então a andar no sentido contrário ao cordão de policiais, que estavam portando bombas de gás e armas com balas de borracha. Rapidamente, motos da PM foram enfileiradas para bloquear novamente os manifestantes, que permaneceram parados, com os braços levantados e gritando palavras de ordem pelo fim da polícia militar e pedindo a saída do presidente Michel Temer.

Por volta das 21h, a organização do ato decidiu cancelar a caminhada, mas alguns manifestantes discordaram. Cerca das 21h20, em meio à dispersão do ato, parte dos manifestantes começou a se encaminhar para a Avenida Cardeal Arcoverde, por onde desceram até a Rua Eusébio Matoso. Houve nova dispersão e alguns chegaram até a Marginal Pinheiros.

No trajeto, alguns manifestantes atearam fogo em lixo no meio da rua e chegaram a quebrar a vidraça de três concessionárias. Até as 22h30, o policiamento na região do Largo da Batata era ostensivo, no entanto, o protesto havia terminado.

Em defesa da população negra

Representante do Núcleo Impulsor de São Paulo da Marcha de Mulheres Negras, Luka Franca, disse que o ato da sexta-feira tinha o objetivo de "denunciar o caráter racista do golpe", dizendo que há uma série de decisões que Temer vem tomando nesse sentido, como acabar com setores do Ministério da Saúde que pensam políticas de saúde para a população negra.

Luka diz que há questões como o genocídio da juventude negra, o alto índice de violência contra as mulheres, principalmente contra as mulheres negras. "Por conta disso, achamos que era importante frisar que o golpe, para além do golpe político como ele está colocado, ele é um golpe racista", disse Luka. "Para nós, a única saída possível para o golpe é o povo decidir. Nós não vamos aceitar um presidente imposto pela Casa Grande desse país".

Manifestações contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff também ocorreram no Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre, Goiânia, Florianópolis, Belém, Vitória e Curitiba.

Protesto de domingo

Em nota divulgada à imprensa na noite de sexta-feira (2), a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), afirma que "após entendimentos com os organizadores da manifestação convocada para este domingo (4), será permitida a concentração de manifestantes na avenida Paulista a partir 16h30."

O ato "Ocupe a Paulista Contra o Golpe!", convocado pelos movimentos Frente Brasil Popular e Povo sem Medo, estava marcado para ocorrer no mesmo horário da passagem da tocha paralímpica, que integra a cerimônia oficial dos Jogos Paralímpicos Rio 2016. Mas os organizadores preferiram adiar a manifestação para não prejudicar o evento esportivo.

O presidente Michel Temer (PMDB) autorizou o uso das Forças Armadas durante a passagem da tocha paralímpica na avenida, com o objetivo de garantir a "lei e ordem". A decisão foi publicada no Diário Oficial da última quinta-feira (1).

Veja imagens do protesto da última sexta-feira (2) em São Paulo:

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