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Por que o 'Fora, Temer' ficou só na internet e no copo do Starbucks

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'Fora, Temer' foi mais alto no Starbucks que nas ruas | Reprodução/Facebook
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Durante as diversas etapas do processo de impeachment de Dilma Rousseff, os gritos contrários ao afastamento da petista passaram do "não vai ter golpe" para o "Fora, Temer". O enfrentamento ao então presidente interino, Michel Temer, contudo, ficou limitado a hashtags e a manifestações pontuais.

No dia em que a Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade do impeachment, em 17 de abril, 126 mil manifestantes foram às ruas em favor da petista, de acordo com estimativas da Polícia Militar. Em 31 de junho, o número baixou para 3 mil.

Para o professor de ética da Unicamp Roberto Romano, erros de articulação do PT foram determinantes para que o "fora, Temer" não ganhasse fôlego.

"O PT tinha alguma esperança de virar o jogo e portanto não houve alimento para essas manifestações... Acreditou-se que através da internet, movimentos localizados e da fala da presidente haveria condição de modificar a opinião dos senadores, o que foi um erro estratégico."

O professor analisa que faltou mobilização política na sociedade civil para defender o mandato de Dilma. "Partidos apenas no plano do Estado e separados da sociedade fazem que a sociedade civil não se organize (…) Os partidos políticos despolitizaram a sociedade brasileira", resume.

Outro fator apontado como influência da dificuldade de mobilização foi a crença de que o impeachment passaria de qualquer maneira pelo Congresso. Além disso, parte da população optou por dar um voto de confiança ao governo Temer.

A expectativa dos movimentos sociais era de fazer barulho enquanto Dilma estivesse reclusa no Palácio do Alvorada. Pessoas próximas à presidente, ouvidas pelo HuffPost Brasil, entretanto, reconhecem que faltou uma estratégia, até mesmo para divulgação da agenda da petista.

O "Fora, Temer" passou a ser mais frequente em espetáculos de humoristas e nos balcões do Starbucks do que nas ruas.

O brado por novas eleições

No Congresso, por sua vez, senadores tentavam emplacar a ideia de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para realizar novas eleições.

Sem unidade, o PT e Dilma demoraram a bater um martelo sobre o apoio a essa medida.

O partido temia se distanciar mais ainda de movimentos sociais, como o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), contrário à ideia de novas eleições. A ex-presidente só defendeu um plebiscito para antecipar o pleito de 2018 em carta aos brasileiros lida em 16 de agosto, duas semanas antes da votação no Senado.

No dia 23, a Executiva Nacional do PTdecidiu ir contra a proposta. O presidente da legenda, Rui Falcão, chegou a dizer que não havia "nenhuma viabilidade" na medida, que precisaria de três quintos dos votos tanto no Senado quanto na Câmara, em dois turnos, para ser aprovada.

Nesta sexta-feira (2), contudo, o comando da legenda resolveu reeditar a campanha das Diretas-Já, lançada em 1983 durante o governo militar, cobrando eleições diretas à presidência da República. A decisão faz parte do discurso de que o impeachment foi um "golpe à democracia".

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