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Pós-impeachment, PT defende novas 'Diretas Já' e procura apoio em manifestações

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DIRETAS JA
PT defende formalmente e nas ruas novas eleições | Fernando Frazao / Agência Brasil
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Passada a aprovação do impeachment de Dilma Rousseff no Senado, o PT se mobiliza na defesa de uma nova campanha pelas 'Diretas Já", lançada em 1983 durante o governo militar, cobrando eleições diretas à Presidência da República. A decisão faz parte do discurso de que o impeachment foi um "golpe à democracia".

O partido e seus principais aliados apostam no discurso de que nova eleição é um pleito da população. A própria ex-presidente já está afinando esse discurso."Quem está querendo eleição direta é o povo na rua, não somos só nós", disse, em coletiva de imprensa na sexta-feira (2). Esta seria também uma estratégia para reconstrução e unificação da esquerda no País. Também faz parte do plano reescrever a história do Partido dos Trabalhadores.

Um desafio para a mobilização petista é buscar uma unificação da própria legenda após o resultado no Senado. Antes da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, o partido fazia uma oposição contundente tanto no Congresso quanto nas ruas, mas após chegar ao poder, houve uma série de rupturas, além de uma resistência ao estilo de Dilma por parte da legenda.

Para o cientista político e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Claudio Couto, a intensidade da reprovação atual ao governo Temer não é a mesma do fim do governo Dilma. Ele acredita que as manifestações pelas Diretas Já só ganharão força se aumentar o descontentamento com a gestão do peemedebista.

"A médio prazo, se houver um desgaste muito grande do atual governo, não houver resposta aos problemas econômicos, isso aumenta a insatisfação", alerta. Couto aponta ainda que novas revelações de esquemas de corrupção podem inflamar os protestos contra o novo presidente.

O especialista destaca ainda a possibilidade de que as pessoas tenham medo de ir para as ruas devido à repressão policial. De acordo com Couto, o governo de São Paulo faz da Polícia Militar "uma política que opera quanto a determinados tipos de mobilização sociais".

Mesmo com um protesto marcado para este domingo (4), a Secretaria de Segurança paulista publicou uma nota proibindo manifestações na Avenida Paulista, "em razão da passagem da tocha paralímpica".

Somado a isso, Temer autorizou o uso das Forças Armadas durante a passagem da tocha paralímpica na avenida, com o objetivo de garantir a "lei e ordem".

Durante o protesto da última quarta-feira (31), a estudante Deborah Fabri perdeu a visão do olho esquerdo, após ser atingida por estilhaços ou por uma bala de borracha.

Uma das linhas de ação do PT será usar o discurso do governo da ex-presidente Dilma de que não reprimiu manifestações para instigar as pessoas a continuarem indo para as ruas.

Terrorismo do Estado X Terrorismo nas Ruas

A própria ex-presidente diz ser uma das pessoas que vão continuar na luta para que todos possam ir às ruas se manifestar em favor da democracia.

"Eu sei como começa, a culpa é do manifestante. Primeiro tiram o olho da menina, depois matam. Quem é da minha geração não pode compactuar com isso. O terrorismo do Estado é gravíssimo, o poder do Estado para reprimir é muito forte."

Em março deste ano, Dilma sancionou a lei antiterrorismo. A depredação de patrimônio público, como ocorre em alguns protestos do "Fora, Temer" em São Paulo, foi classificada como ato de terror, segundo as novas regras.

Na época da sanção, aliados da ex-presidente, como o líder do MTST, Guilherme Boulos, criticaram a nova lei e os possíveis efeitos de criminalizar movimentos e organizações sociais por protestos. "Dilma atacou a democracia sancionando essa lei", disse Boulos.

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