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Atentados na Síria matam dezenas e negociações entre EUA e Rússia para cessar-fogo fracassam

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Uma série de atentados com bombas na Síria fez dezenas de vítimas nesta segunda-feira (5), de acordo com a agência France Presse.

Várias explosões atingiram áreas controladas pelo governo e o maior número de vítimas foi registrado em Tartus, no Mediterrâneo, de acordo com a imprensa local. Tartus é a sede de uma base naval russa.

Pelo menos 48 pessoas morreram. Nenhum grupo assumiu a autoria do atentado, mas as áreas atingidas já foram alvo do Estado Islâmico.

"Os ataques foram simultâneos e tinham como alvos posições das forças de segurança", afirmou Rami Abdel Rahman, diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Os atentados aconteceram pouco depois de o EI ter perdido suas últimas posições ao longo da fronteira com a Turquia, assim como do sucesso do exército sírio e seus aliados ao cercar os bairros rebeldes de Aleppo.

Enquanto isso, as negociações entre Estados Unidos e Rússia para o cessar-fogo fracassaram mais uma vez. Em encontro mais cedo nesta segunda-feira, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, não conseguiram se entender sobre os termos de um cessar-fogo pela segunda vez em duas semanas, e autoridades dos EUA enfatizaram que irão abandonar as conversas se um pacto para o futuro próximo não puder ser acordado.

Porém, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, tiveram uma conversa mais longa do que o esperado nesta segunda-feira sobre se, e como, poderiam acertar um acordo de cessar-fogo na Síria, disse uma autoridade de alto escalão do governo norte-americano.

Obama e Putin passaram cerca de 90 minutos em uma reunião "construtiva" sobre o envio de ajuda humanitária à Síria, a redução da violência e a cooperação no combate a grupos militantes, informou a autoridade a repórteres.

Os líderes dos EUA e da Rússia não entraram nas minúcias de um possível acordo, mas progrediram no tocante ao esclarecimento das "lacunas remanescentes" e instruíram Kerry e Lavrov a se reunirem ainda nesta semana para continuar trabalhando em um entendimento, disse o funcionário a repórteres.

"Se for possível obter um acordo, queremos fazê-lo urgentemente, por causa da situação humanitária. Entretanto, precisamos fazer com que seja um acordo eficaz", afirmou. "Se não pudermos ter o tipo de acordo que queremos, iremos nos afastar desse esforço".

Um pacto de cessação das hostilidades mediado por Lavrov e Kerry em fevereiro desandou depois de algumas semanas, e Washington acusou as forças do presidente sírio, Bashar al-Assad, de violá-lo.

Autoridades do Departamento de Estado dos EUA não quiseram detalhar quais são os pontos de discórdia que estão impedindo um acordo, embora o funcionário de alto escalão tenha dito que as diferenças restantes giram em torno de como o plano seria implementado.

A Rússia vem insistindo que não pode concordar com um acordo a menos que combatentes da oposição síria, apoiados pelos EUA e por aliados do Oriente Médio, sejam separados de militantes ligados à Al Qaeda aos quais se sobrepõem em algumas áreas.

Obama e Putin também discutiram o conflito na Ucrânia – uma crise que o líder norte-americano já havia debatido mais cedo com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel , e o presidente da França, François Hollande.

A Casa Branca quer determinar se o cessar-fogo de Minsk pode ser efetivado antes de Obama deixar o cargo em janeiro ou se será necessário que as sanções econômicas contra Moscou sejam prorrogadas, disse o funcionário.

Mais de 290 mil pessoas morreram na Síria desde março de 2011, quando a guerra civil começou. Milhões precisaram deixar o país.

Com informações da Reuters e da France Presse.

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