Huffpost Brazil
Grasielle Castro Headshot

A PM ultrapassou todos os limites na repressão à manifestação pacífica contra Temer em SP

Publicado: Atualizado:
PROTESTO SO PAULO
Roberto Parizotti/ CUT
Imprimir

“Libera a catraca.”

Este grito foi a senha para que uma manifestação inicialmente pacífica, que começou no meio da tarde, terminasse em conflito com a polícia por volta de 20h30.

O protesto contra o governo do presidente Michel Temer e por novas eleições, no domingo (4), em São Paulo, com cerca de 100 mil pessoas, ficou marcado pela truculência. Quando as pessoas iam embora da Avenida Paulista, já no Largo do Batata, bombas de gás lacrimogêneo pegou todos de surpresa, de crianças a idosos.

A polícia logo se posicionou:

Além do gás, balas de borracha e o cassetete foram usados para conter os manifestantes. O Grupo de Apoio ao Protesto Popular atendeu 12 vítimas, cinco com dispensa (grave dificuldade para respirar) causada pelo gás - incluindo um paciente com câncer de pulmão "em situação exatamente fragilizada”.

Imagens publicadas nas redes sociais denunciam abusos policiais:

A polícia acusa os jovens de vandalismo.

De acordo com o G1, os objetos que a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo apreendeu usados em “atos de vandalismo” são: um estilingue; pedras; um extintor de incêndio; celulares; uma câmera GoPro; um maço de cigarros; uma caneta esferográfica; um cabo de televisão; bandanas; um gorro; um chaveiro do Pateta, personagem da Disney; máscaras de gás; um boné; panfletos contrários ao governo Temer; óculos de proteção; luvas; gazes e outros materiais de primeiros-socorros, como comprimidos de analgésico; e garrafas com líquido aparentando ser vinagre.

Das 26 pessoas detidas na noite de domingo, 16 foram indiciadas por associação criminosa e corrupção de menores. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse que a polícia sempre filma os atos e vai explicar.

“O fato é que tem depredação e ainda querem passar a história de que a polícia é que é a culpada”, disse o governador, segundo a Folha de S.Paulo.

Ao G1, o advogado Marcelo Feller, que defende cinco dos detistos, disse que as prisões são “políticas”. Ela diz que “ninguém foi pego depredando nada”.

"É assustadora a prisão desses jovens por absolutamente nada. (…) Com nenhum foi encontrado pedras, materiais que pudessem servir para machucar quem quer que fosse. Ao contrário. Com eles, foi encontrado material para se proteger. Máscaras, vinagre, coisas do gênero."

Em nota, a PM repudiou o que chamou de "tentativa de utilização indevida de sua imagem". Disse que o protesto terminou "com lamentáveis e injustificáveis cenas de violência" e que "pessoas começaram a arremessar pedras e paus nos policiais, havendo a necessidade de adoção de procedimentos de dispersão.

"A pergunta que se faz obrigatória nesse momento é: qual seria a lógica de se reprimir um ato pacífico, como sugerem alguns? Infelizmente, alguns tentam colocar a Polícia Militar no polo oposto às suas pretensões, como forma de atrair a atenção pública e legitimar suas causas. É importante esclarecer, contudo, que a Polícia Militar é apartidária, isenta e imparcial. Suas ações são técnicas e dependem exclusivamente de motivação legal. (...)

A Polícia Militar repudia a tentativa de utilização indevida de sua imagem, pois atua sempre no imparcial objetivo de garantir a ordem, proteger as pessoas e fazer cumprir as leis. Não cabe à polícia avaliar se uma causa é justa ou correta, mas parece lógico que um país melhor não se faz com o emprego de violência e manipulações."

Líder da minoria no Senado, Lindbergh Farias (PT-RJ) vai denunciar a polícia à Organização dos Estados Americanos (OEA).

"Não podemos nos calar frente à gravidade do estamos vivendo. Há uma escalada de violência. Acho que a denúncia pode intimidá-los”, disse, em coletiva de imprensa. Para ele, a ação foi orquestrada para passar medo à população e evitar novos protestos.

Este foi o quinto protesto seguido na capital paulista que terminou com interferência da polícia.

LEIA TAMBÉM:

- Ministro da Fazenda reconhece que protesto contra Temer tem 'número substancial', mas compara a atos contra Dilma

- Carro destruído por coquetel molotov assusta vizinhos de Temer

- Senado abre consulta pública sobre novas eleições e 92% apoia proposta

Mais no HuffPost Brasil:

Close
Protestos contra Michel Temer
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção