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Apenas 32% dos brasileiros acreditam que a democracia é a melhor forma de governo, diz pesquisa

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Só 32% aprovam a democracia no Brasil | Rovena Rosa / Agência Brasil
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O apoio à democracia no Brasil caiu 22 pontos percentuais no último ano, de acordo com levantamento da Corporación Latinobarómetro, ONG com sede em Santiago, no Chile, que realiza tais sondagens desde 1995.

Em 2015, 54% dos brasileiros concordaram com a afirmação "A democracia é preferível a qualquer outra forma de governo". Neste ano o número caiu para 32%.

Foram registradas quedas bruscas no Chile (11 pontos), Uruguai (8 pontos) e Venezuela e Nicarágua, ambas com sete pontos. No último ano, apenas Paraguai, Costa Rica, Panamá, Argentina e Honduras tiveram melhora.

Apesar do recuo, a Venezuela segue em primeiro lugar, com 77%. Em segundo lugar, vem a Argentina (71%), seguida pelo Uruguai (68%). O Brasil ficou em 17º lugar, na frente apenas da Guatemala, que registrou 31%.

De modo geral, a conclusão é de piora no cenário na América Latina. Pelo quarto ano consecutivo, o apoio à democracia caiu. Desta vez, foi registrada uma queda de cinco pontos percentuais, passando de 59% em 2015 para 54% em 2016.

A pesquisa ouviu 20.204 entrevistados pessoalmente em 18 países entre 15 de maio e 15 de junho de 2016. Em cada nação, foram entrevistados entre mil e 1.200 pessoas, e a margem de erro é de 3%.

De acordo com o levantamento, é dada maior importância à democracia em países em que as pessoas percebem que avança a luta contra a corrupção.

No Brasil, o estudo aponta que o País sofreu em 2016 a segunda maior crise política após a redemocratização, atrás apenas do impeachment de Fernando Collor de Mello em 1992.

Com o afastamento de Dilma Rousseff, são 14 presidentes que não terminaram os mandatos na América Latina, de acordo com a ONG.

Autoritarismo

Metade dos países analisados apoia governos autoritários. No Brasil, 55% concordam com a afirmação: "Não importa um governo não democrático, se ele resolve os problemas".

O país ficou em sexto lugar nessa categoria. Honduras lidera junto com El Salvador, com 62%, seguida por Nicarágua (61%) e Guatemala (60%).

Quanto ao controle dos meios de comunicação, 30% da América Latina concordam que o presidente deve controlar o setor. No Brasil, o indicador registrou 34%. Em primeiro lugar ficou a Guatemala (51%), seguida por Honduras (42%) e Nicarágua (41%).

Entre os brasileiros, 22% acreditam que a mídia é "bastante independente" e 66% apontam os veículos de comunicação no País como "críticos ao governo".

Na pergunta "as pessoas devem obedecer às leis sem exceção", o Brasil é onde mais se concorda com tal afirmação, chegando a 75%.

O País também é destaque ao concordar que os governantes agem mais em benefício próprio do que em prol do bem comum. Concordaram com essa afirmação 87% dos brasileiros entrevistados, ficando em segundo lugar, atrás do Paraguai, com 88%.

A aprovação do governo brasileiro ficou em 22%, país com terceiro pior indicador, na frente apenas da Venezuela (20%) e do Peru (19%).

Nos 18 países analisados, a confiança em instituições registrou queda em 2016 de modo geral. A exceção são as Forças Armadas - em que a confiança passou de 44% para 50% - e na polícia, que subiu de 36% para 38%.

Economia

Ao analisar os 18 países, o estudo aponta uma relação entre o cenário econômico e o apoio à democracia. Há uma queda da satisfação com regimes democráticos a partir de 2010, como um possível reflexo da crise econômica.

No âmbito econômico, o estudo aponta que o Brasil passa pelo pior período em 25 anos, marcado por uma recessão.

A estimativa é que o PIB da América Latina neste ano terá uma redução de 0,8%, puxado pelo desempenho da economia chinesa e em nível local, pelo Brasil e pela Venezuela. Segundo a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), haverá retração de 2,5% e 8%, respectivamente.

De acordo com o instituto Corporación Latinobarómetro, o apoio à democracia vinha aumentando desde 2001, ano da crise asiática, quando registrou 25%. Em 2009, o indicador chegou a 44%, período em que os governos nacionais registraram os melhores índices de aprovação.

O estudo teve apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), governo da Noruega e Transparência Internacional, entre outras organizações.

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