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Voluntários transformam fábrica abandonada em lar de 700 refugiados na Grécia

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REFUGIADAS
O abrigo é administrado por voluntários e oferece serviços médicos aos moradores | Getty Images
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Com os campos de refugiados na Grécia em condições muito ruins, voluntários estão buscando alternativas não-convencionais.

Uma antiga fábrica de tecidos de 600 metros quadrados foi adaptada para funcionar como abrigo e enfermaria para refugiados na cidade de Tessalônica, na Grécia.

Ahmed Khan, um investidor e filantropo, e Frank Giustra, presidente da Radcliffe Foundations, criaram o Projeto Lar Elpida. Khan foi motivado a montar o abrigo depois de conhecer as difíceis condições enfrentadas pelos refugiados no país.

“Os campos de refugiados estão em situação horrível e completamente desumana”, disse Khan. “As crianças brincam no esgoto, as tendas ficam sob um sol de 43 graus. Então pensei: ou fazemos algo nos campos, tentando melhorá-los, ou fazemos algo diferente.”

campo de refugiados de vasilika
O campo de refugiados de Vasilika fica num antigo armazém no vilarejo grego. Não há ventilação, e o teto de zinco aumenta a temperatura. A água é insuficiente e quente. A comida é muito ruim. O campo foi criado em 14 de junho de 2016 para abrigar refugiados expulsos do campo de Idomeni. Alguns refugiados denunciaram as péssimas condições

Quando o governo fechou o campo improvisado de Idomeni, em maio, as autoridades transferiram cerca de 4 000 pessoas para instalações do estado, armazéns e fábricas cheios de tendas.

Trabalhadores de instituição de ajuda humanitária descrevem os locais como “abandonados”.

Khan pediu que o Ministério de Migração grego permitisse que ele reformasse um dos prédios antigos.

Com a ajuda de voluntários, ele transformou uma antiga fábrica de tecidos. No espaço aberto, foram construídas unidades individuais. Também foram criados espaços comuns, equipados com eletricidade, água, encanamento e cozinhas.

O Projeto Lar Elpida foi inaugurado em 24 de julho e recebe cerca de 160 refugiados. A meta é chegar a 700.

No Elpida, os refugiados são co-responsáveis pela administração, junto com voluntários. As famílias têm quartos próprios e cuidam das áreas comuns juntamente com os voluntários.

“Os refugiados são vítimas de guerras que eles não declararam – eles tinham vidas normais antes disso”, afirma Khan. “Então aqui os chamamos de residentes, não refugiados. A ideia é criamos independência, não dependência.”

refugiado sírio
Refugiado sírio abrigado em Elpida conversa com Frank Giustra, da The Radcliffe Foundation, e Sandy Hakim, responsável pelo relacionamento com os residentes

O abrigo é resultado de uma colaboração entre parceiros públicos e privados. Giustra e Khan fornecem os recursos para construir e manter a instalação. O governo grego paga o aluguel e as contas de luz a água. Diversas entidades de caridade oferecem serviços para os residentes.

A Together for Better Days, organização que trabalha com refugiados na Grécia, fornece os voluntários que ajudam a administrar o abrigo, e a Médecins du Monde envia psicólogos três vezes por semana.

A maioria dos refugiados em Elpida foram enviados para o abrigo porque são frágeis demais para ficar nos campos, afirma Khan. Os motivos vão de problemas de saúde a riscos de violência sexual. O governo recomenda as famílias para os administradores do abrigo, que as aceitam conforme a capacidade de atendimento.

dentistas
Dentistas voluntários no Projeto Lar Elpida

Khan trabalha com o governo para identificar mais prédios com potencial de receber refugiados. A esperança é que o projeto inspire outras pessoas a fazer algo semelhante – ou simplesmente doar recursos.

“O custo da reforma foi de cerca de 1 milhão de dólares – o dinheiro é meu e de Frank Giustra”, diz Khan. “Não é nada:
é o dinheiro que gastam com combustível para o jatinho privado. Há muita gente muito rica nesse mundo. Quero que essas pessoas vejam essa iniciativa como um bom uso do seu dinheiro.”

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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