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Bruce Springsteen recorda os dias de depressão: 'Fiquei destruído'

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"Tenho tudo na vida, como posso me sentir assim?"

Este é um questionamento bastante frequente entre famosos que enfrentam um problema de saúde mental, sobretudo a depressão. Este "estranhamento" mostra o quanto a saúde mental ainda é tabu, e precisa ser discutida. Afinal, ela pode afetar qualquer pessoa.

Aos 66 anos, rico, com talento amplamente reconhecido por crítica e público, autor de músicas cantadas a plenos pulsões por milhões de pessoas e chamado carinhosamente como "The Boss", o norte-americano Bruce Springsteen precisou reconhecer e enfrentar a depressão que o acompanhou por vários anos.

"Fiquei destruído entre os 60 e 62 anos, melhorei por um ano, e mal de novo aos 63 e 64 anos", ele desabafa na autobiografia Born to Run, destaca a revista Vanity Fair em reportagem especial sobre o músico.

A autobiografia é uma das mais aguardadas memórias do rock em anos, e será lançada este ano nos Estados Unidos.

Os problemas com a depressão ocorreram por volta de 2012, época do lançamento do disco Wrecking Ball. O álbum, inclusive, traz a música "This Depression" (Esta Depressão). A mulher de Springsteen, a também cantora Patti Scialfa, testemunhou o suplício dele.

"Não é um bom registro. Patti percebe que um trem de carga, cheio de nitroglicerina e em alta velocidade, está prestes a descarrilar... então ela me leva ao médico e diz, 'Este homem precisa de um medicamento.'", completa Springsteen.

O problema de saúde mental acabou levando Bruce a compreender melhor o pai, Douglas, morto em 1998 e com que teve uma relação tumultuada - o filho nunca ouviu um 'eu te amo' do pai. "Pude ver a voz dele tremulando, mas ele nunca conseguiu juntar essas palavras."

Douglas também sofria de depressão. Bruce disse à Vanity Fair que temia ser afetado da mesma maneira que o pai.

"Você não conhece os parâmetros da doença. Será que posso adoecer até ponto de me tornar mais parecido com meu pai do que pensei em ficar?"

No livro, Bruce diz que o pai tinha parentes com problemas de saúde mental, inclusive agorafobia (um tipo de ansiedade) e transtornos relacionados a puxar os cabelos. As doenças não eram diagnosticadas, tampouco discutidas.

"Quando era criança, tudo isso era simplesmente misterioso, vergonhoso e comum", ele escreve.

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