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Propaganda da C&A levanta questão: O que é plus size de verdade?

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MARIA
Reprodução/Instagram
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Nesta semana, a modelo plus size Maria Luiza Mendes se viu no meio de uma polêmica a respeito de sua imagem. Com 1,73m e 85kg, ela é uma das estrelas da nova campanha publicitária da C&A - focada na diversidade de formas e tipos de beleza.

No entanto, a frase “Sou gorda, sou sexy” que acompanha a imagem da modelo gerou discussão nas redes sociais. Muitos questionaram se a condição de gorda se aplicava a a campanha foi fortemente criticada:

Em artigo intitulado "C&A e a propaganda enganosa: close erradíssimo", a jornalista e blogueira plus size Ju Romano foi incisiva:

A modelo escolhida é a Malu, que veste 44/46 no máximo, ela é linda e talentosa, mas não é gorda e também não acredito que ela passe por um décimo das dificuldades e preconceitos que as gordas passam no dia a dia – como por exemplo tentar achar uma peça que sirva dentro de lojas de departamento, pra dizer o mínimo. Se o objetivo da campanha é mostrar que a indústria esteve errada por tanto tempo e que SIM a gorda pode ser sexy, por que raios a campanha resolve representar a gorda com uma mulher que NÃO é gorda?!?!

Em "Carta aberta à C&A", a blogueira e militante da aceitação do corpo Kalli escreveu:

A modelo é linda e não tenho dúvidas nenhuma de que ela é sexy, mas por favor C&A entenda que essa ação desrespeita as gordas de verdade e ainda coloca em risco a vida de milhares de mulheres que, infelizmente, ainda acreditam em coisas como vocês dizem.

Nós GORDAS não precisamos do reconhecimento de vocês, caso insistam em nos negar como sempre, mas lamento que vocês precisem usar “erradamente” uma causa para se promover.

Nós estamos nos empoderando e empoderando outras mulheres gordas, nenhuma gorda que já conhece o seu valor consegue ver nada de positivo nesta campanha, nem precisamos pensar em boicote já que a marca já boicota as gordas, não tendo nada que nos sirva nas araras.

A polêmica chegou até à modelo, que resolveu se manifestar pelo Instagram. “Eu também sou gorda. Talvez menos gorda que você, só gordinha, ou mais que você. Mas o fato é que eu também sou gorda. Isso não é ofensivo para mim. É uma característica física minha”, afirmou.

No texto, Maria Luiza conta um pouco de sua história, parabeniza a iniciativa da marca de dar visibilidade a outros tipos de beleza, para além dos padrões estabelecidos na atualidade.

Médica veterinária e atualmente contratada de uma agência de modelos, Maria Luiza pede que as mulheres se unam:

“Li muito nos comentários que eu sou uma pessoa normal. Ainda bem, né, gente?? Mas não entendi...Se eu sou normal, quem foge disso é anormal? Gordas, gordinhas, gordonas, e as magrinhas também... juntas somos mais fortes!”

Leia o texto na íntegra:

Hoje vi minhas fotos da campanha da C&A virarem polêmica no Estadão, Veja, e outros sites de notícias e blogs.

Eu tenho 1,73m e peso 85kg. Meu IMC é de 28,40, portanto sou considerada uma pessoa acima do peso.Segundo o dicionário Michaelis, Gordo é quando há excesso de tecido adiposo; algo de dimensões avantajadas, bem nutrido. Segundo o Google: que tem gordura ('tecido adiposo') ou tem uma quantidade de gordura acima da usual; obeso, cheio, corpulento.

Então queria dizer, C&A, você está certa!

Eu também sou gorda. Talvez menos gorda que você, só gordinha, ou mais que você. Mas o fato é que eu também sou gorda. Isso não é ofensivo para mim. É uma característica física minha. Li muito nos comentários que eu sou uma pessoa Normal. Ainda bem né gente? Hahahaha. Mas não entendi... Se eu sou normal, quem foge disso é anormal?

Queria dizer que me sinto feliz em estar nessa campanha. O conceito dela foi valorizar a pluralidade e as variadas formas de beleza, por isso topei participar.

Me sinto feliz cada vez que vejo uma marca que não trabalhava nesse segmento, começar a trabalhar. Mesmo que ela não vá até o tamanho 60, mesmo que ela tropece no início, erre na modelagem... É o começo para que ela chegue lá um dia, e consiga abranger todos os tipos de corpos. É o começo para que possamos acabar com as divisões, com os padrões, com a objetificação da mulher. Há 5 anos venho militando por essa causa e acredito que toda representividade é válida.

Gostaria de agradecer a todos que se manifestaram a favor do respeito as mulheres. Elogios e críticas construtivas sempre serão bem vindas em todas as empresas e profissões.

Gordas, gordinhas, gordonas, e as magrinhas também... Juntas somos mais fortes! ❤

E você? O que achou da polêmica? Conte abaixo nos comentários!

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