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Sobrevivente de ataque com ácido, Reshma Qureshi rouba a cena na Semana de Moda de Nova York

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lucas jackson

A Semana da Moda de Nova York abriu espaço para uma discussão urgente relacionada à beleza, violência e autoestima. Nesta quinta-feira (8), Reshma Qureshi foi convidada a participar do desfile da grife indiana Archana Kochhar.

Aos 19 anos, a jovem exibiu na passarela um belo vestido branco com estampa étnica e as cicatrizes salientes em seu rosto. Archana foi vítima de um ataque com ácido – problema que atinge milhares de mulheres na Índia.

Ao jornal New York Post, Reshma contou que ficou emocionada com o convite:

"Quando eu descobri que fui convidada para o Fashion Week, por um momento não acreditei que uma grande cidade como Nova York estava me dando essa oportunidade. Fiquei realmente feliz e espero que isso possa inspirar outras mulheres.”


A presença da jovem em um dos maiores eventos de moda do mundo também serviu para dar visibilidade ao drama vivido por muitas mulheres indianas.

Sobre os comuns ataques com ácido sulfúrico no país, ela revelou:

"Eu quero que as pessoas olhem para as sobreviventes de ataques de ácido como pessoas normais. É absolutamente traumática ser uma garota com o rosto arruinado. Na Índia é tão fácil comprar um ácido quanto comprar um batom. Este é o crime mais fácil de cometer... Não é como levar um tiro ou ser esfaqueada. Não há sangue, mas há trauma que se leva para o resto da vida.”

Reshma Qureshi teve o rosto desfigurado em 2014, após fazer uma denúncia de assédio sexual.

Um ex-cunhado, apoiado por amigos e familiares resolveu atirar ácido no rosto dela. Como consequência, além das cicatrizes aparentes, ela perdeu o olho esquerdo, ficou com o direito parcialmente fechado e atualmente sofre constantes infecções.

Foi com tutoriais fora dos padrões convencionais que a jovem indiana ganhou visibilidade internacional. Em dos vídeos (assista no player abaixo), que a tornaram umas personalidades mais famosas no combate à violência de gênero na Índia, ela revelou:

“Na Índia é mais fácil e barato conseguir ácido do que um batom”.

É por meio dos tutoriais em vídeo que a jovem exerce seu ativismo na organização Make Love Not Scars (Faça Amor, Não Faça Cicatrizes), que dá apoio para vítimas de estupros, ataques com ácido e outras manifestações de violência de gênero – oferecendo assistência psicológica e trabalhista.


Estima-se que haja entre 500 e 1.000 ataques com ácido por ano na Índia. No contexto indiano, esse tipo de violência ocasiona não apenas cicatrizes na mulheres, mas também exclusão social.

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